
- Lyse Doucet, Carrie Davies e Azadeh Moshiri
- Da BBC News em Islamabad, Paquistão
- Tempo de leitura: 4 min
Os EUA e o Irã não chegaram a um acordo nas históricas negociações para o fim da guerra realizadas durante este sábado (11/4) e a madrugada de domingo (12/4), no Paquistão.
O vice‑presidente americano, J.D. Vance, que lidera a delegação do país, disse que Estados Unidos deixaram claras suas "linhas vermelhas", enquanto o Irã "não concordou com nossos termos".
"Nós saímos daqui com uma proposta muito simples, uma forma de deixar claro que esta é nossa oferta final e a melhor possível. Vamos ver se o Irã a aceita."
Segundo Vance, "a simples realidade é que precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não buscarão uma arma nuclear nem buscarão os meios que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear".
Ele descreveu isso como o "objetivo central" do presidente americano, Donald Trump.
O vice-presidente afirmou que os EUA agora planejam deixar o Paquistão, a quem agradeceu por mediar as negociações.
Em uma publicação nas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, descreveu as conversas como "intensivas", mas afirmou que o sucesso das negociações em curso "depende da seriedade e da boa-fé da parte oposta".
Baqaei também pediu que os EUA se abstenham de "exigências excessivas e pedidos ilegais" e aceitem os "direitos e interesses legítimos" do Irã.
Entre os temas que ele diz estar sendo discutidos estão o Estreito de Ormuz, o programa nuclear do Irã e "o fim completo da guerra".
Os representantes dos dois países se reuniram por mais de 16 horas no Serena Hotel, em Islamabad, capital do Paquistão, para negociar o fim da guerra iniciada no dia 28 de fevereiro, quando americanos e israelenses lançaram um ataque contra o território iraniano.
O dia começou com as duas delegações se reunindo separadamente com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que disse esperar que ambos os lados "se engajem de maneira construtiva".
As conversas presenciais marcam um evento histórico, já que são as de mais alto nível entre os EUA e o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
O Irã chegou a Islamabad enfatizando sua profunda desconfiança em relação à diplomacia — suas discussões com os EUA no ano passado e neste ano foram ambas interrompidas pela guerra.
Por isso, insistiu que só trataria com uma autoridade americana mais graduada, em particular o vice-presidente J.D. Vance, visto como o mais forte opositor de engajamentos militares dispendiosos na equipe do presidente Donald Trump.
Nas redes sociais, o presidente Donald Trump disse durante o sábado que "recebeu muitos relatos" das conversas em Islamabad.
Depois, na Casa Branca, Trump disse a repórteres que, independentemente de um acordo ser ou não alcançado com o Irã, isso "não faz diferença para mim".
"Independentemente do que aconteça, nós vencemos", disse ele. "Derrotamos totalmente aquele país."

Navios no Estreito de Ormuz
Em uma postagem no Truth Social, Trump também afirmou neste sábado que o Irã está "perdendo muito" no conflito e diz que os EUA estão "desobstruindo" o Estreito de Ormuz — uma rota marítima crucial que foi essencialmente fechada por Teerã.
Em seguida , o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) publicou uma mensagem no X dizendo que as forças dos EUA haviam começado a "criar as condições para a remoção de minas no Estreito de Ormuz" e que duas embarcações "transitaram pelo Estreito de Ormuz... como parte de uma missão mais ampla para garantir que o estreito esteja totalmente livre de minas marítimas
Após a publicação, o Irã negou que dois contratorpedeiros dos EUA tenham navegado por Ormuz.
"A alegação do comandante do Centcom sobre embarcações americanas se aproximando e entrando no Estreito de Ormuz é firmemente negada", informou a agência de notícias iraniana Fars, citando um porta-voz do quartel-general das forças armadas.
"A iniciativa para a passagem de qualquer embarcação cabe às forças armadas da República Islâmica do Irã."

Conversas entre Israel e Líbano
Enquanto as conversas no Paquistão aconteciam, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, divulgou uma declaração dizendo ter dado sua "aprovação" para negociações de paz com o Líbano.
Isso ocorre no momento em que os militares israelenses afirmam ter atingido mais de 200 alvos do Hezbollah, o grupo militante xiita e partido político libanês, nas últimas 24 horas.
Netanyahu afirmou que o Líbano entrou em contato várias vezes no último mês para iniciar conversas diretas.
"Eu dei minha aprovação, mas sob duas condições: queremos o desmantelamento das armas do Hezbollah e queremos um acordo de paz real que dure por gerações", disse Netanyahu, segundo a agência de notícias AFP.
Os embaixadores dos dois países nos EUA concordaram em se reunir em Washington na próxima semana, enquanto buscam anunciar um cessar-fogo, informou a presidência libanesa na sexta-feira.
O vice-primeiro-ministro do Líbano, Tarek Mitri, disse à BBC que, para que as conversas sejam "significativas", Israel deveria interromper seus ataques ao país.
Mitri disse ao programa Sunday with Laura Kuenssberg, da BBC: "Não estou usando a palavra condicional, mas acho que, para que essas reuniões sejam significativas, precisamos ver algum tipo de cessação das hostilidades, ainda que provisória".
"Como é possível se engajar em discussões significativas, preparando negociações de verdade para tratar de todas as questões, como fazer isso enquanto dezenas e centenas de pessoas estão sendo mortas ou feridas?
"É preciso pôr um fim a isso, colocar isso em suspenso, para poder ter uma conversa construtiva, mas iremos à reunião na terça-feira, que será realizada no Departamento de Estado", completou
O Ministério da Saúde do Líbano afirmou neste sábado que o número de mortos no país desde a última onda de ataque de Israel já ultrapassou 2 mil. Outras 6,4 mil ficaram feridas desde 2 de março.
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