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sexta-feira, 15 de maio de 2026

o IIE nos permite entender quantos jovens conseguem concluir a educação básica na idade certa e com aprendizagem adequada.

Uma das contribuições mais importantes do Índice de Inclusão Educacional (IIE) é nos ajudar a olhar para a educação básica como um percurso completo, e não como etapas isoladas. Ao combinar trajetória escolar e aprendizagem, o IIE nos permite entender quantos jovens conseguem concluir a educação básica na idade certa e com aprendizagem adequada. Mas, quem está conseguindo chegar lá?

Quando olhamos para o recorte racial, os dados mais recentes do painel de equidade do IIE ajudam a aprofundar essa resposta.

O que mudou no retrato da desigualdade racial

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Fonte: https://www.painel-iie.com.br/

No ano passado, escrevi sobre desigualdade racial na educação a partir dos dados de 2021 do Índice de Inclusão Educacional. Naquele retrato, o IIE de estudantes brancos era de 26,9%, enquanto o de estudantes negros era de 11,7%, evidenciando uma diferença expressiva de 15,2 pontos percentuais.

Agora, com a atualização para 2023, vemos um recuo nos dois grupos. O indicador caiu para 23,0% entre estudantes brancos e para 9,9% entre estudantes negros. A diferença, no recorte nacional, ficou para 13,2 p.p. A queda ainda é um reflexo dos impactos da pandemia, uma vez que o sistema ainda não foi capaz de recompor toda a aprendizagem perdida devido ao período de escolas fechadas.

Há dois sinais importantes aqui.

O primeiro é que a desigualdade racial permanece profunda. O desempenho dos estudantes brancos segue mais que duas vezes superior ao dos estudantes negros, quando olhamos para a combinação entre permanência escolar e aprendizagem adequada.

O segundo é mais sutil, mas igualmente relevante. A distância entre os grupos diminuiu, voltando a patamares inferiores aos observados antes da pandemia.

À primeira vista, isso poderia sugerir um avanço em equidade. Mas os dados pedem uma leitura mais cuidadosa. A redução da desigualdade veio acompanhada de queda nos resultados dos dois grupos.

Entre 2015 e 2019, houve avanço simultâneo dos indicadores de estudantes brancos e negros, acompanhado por aumento da distância entre os grupos.

Já no período mais recente, marcado pela piora dos dois indicadores, essa distância diminuiu. Esse comportamento sugere que evolução média e redução de desigualdade nem sempre caminham juntas, ponto que merece acompanhamento nos próximos ciclos de dados.

O que os estados revelam sobre equidade

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Fonte: https://www.painel-iie.com.br/

Os gráficos mostram que redes com IIE mais alto frequentemente também apresentam diferenças maiores entre estudantes brancos e negros.

O Distrito Federal continua sendo um dos casos mais evidentes dessa combinação. A unidade da federação aparece entre os maiores IIEs do país e, ao mesmo tempo, entre as maiores desigualdades raciais observadas no indicador.

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Fonte: https://www.painel-iie.com.br/

Goiás, por sua vez, apresenta um dos maiores IIEs para estudantes negros do país em termos absolutos — o que, isoladamente, seria um sinal positivo. Mas a desigualdade racial é igualmente alta, porque o IIE de estudantes brancos avança na mesma proporção. É precisamente esse movimento que os dados mostram de forma recorrente: avanço médio que não se traduz em equidade.

O caso do Ceará merece atenção especial, inclusive mencionei isso em um artigo recente. O estado aparece com um dos maiores IIEs do país para estudantes negros e, ao mesmo tempo, com desigualdade racial proporcionalmente menor do que a observada em outras unidades da federação com desempenho semelhante. Pernambuco segue na mesma direção — também aparece abaixo da linha de tendência, combinando resultados relevantes para estudantes negros com diferença entre grupos menor do que o padrão nacional sugeriria.

Isso parece refletir uma estratégia educacional consistente, construída ao longo do tempo, baseada em colaboração entre redes, fortalecimento da gestão e políticas estruturantes como alfabetização na idade certa e expansão do Ensino Médio Integral.

Os dados reforçam que olhar apenas para médias nacionais já não é suficiente. Compreender de fato a educação brasileira exige observar quem avança, quem fica para trás e quais políticas conseguem combinar melhoria sistêmica com maior equilíbrio.

Nesse caminho, transparência nos dados, monitoramento contínuo e metas explícitas de equidade seguem sendo fundamentais para enfrentar desigualdades históricas com mais intencionalidade e efetividade.

 

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