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sábado, 27 de junho de 2026

Há alguns anos, amigos espanhóis vieram a São Paulo pela primeira vez e uma das coisas que mais chamou a atenção deles foi a quantidade de árvores.


 Há alguns anos, amigos espanhóis vieram a São Paulo pela primeira vez e uma das coisas que mais chamou a atenção deles foi a quantidade de árvores.

A frase ficou comigo porque não é exatamente a imagem que costumo associar à cidade. Mas talvez a impressão deles dissesse menos sobre uma cidade exemplarmente verde e mais sobre uma diferença de experiência urbana.
Na nova edição da Limiar, minha newsletter sobre clima e dados, usei a regra 3-30-300 para olhar para isso. A regra é simples: ver três árvores da janela, viver em um bairro com ao menos 30% de cobertura de copa e estar a até 300 metros de uma área verde.
Com dados públicos, consegui testar duas dessas métricas em São Paulo.
Pela régua dos 300 metros, a cidade vai relativamente bem: cerca de 73,5% da área urbana fica a até 300 m, em linha reta, de praças, parques ou unidades de conservação (o que não significa que essas áreas são boas, ou mesmo frequentadas).
Pela régua dos 30%, apenas cerca de 9,0% da população vive em setores onde ao menos 30% da superfície terrestre aparece coberta por copa alta — quase dois terços dos moradores estão em setores com menos de 10%.
A pergunta que ficou sem resposta é justamente a mais simples: da janela de casa, do trabalho ou da escola, quantas árvores você consegue ver?

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