SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.
domingo, 17 de maio de 2026
O país lidera exportações globais de soja, café, açúcar, carne bovina, celulose e diversos outros produtos essenciais.
O Brasil virou alvo recorrente de narrativas que tentam transformar sua agricultura em símbolo global de destruição ambiental.
Mas quando os dados entram na discussão, boa parte desse discurso desmorona.
Segundo a Embrapa, cerca de 65% do território brasileiro segue coberto por vegetação nativa preservada. Ao mesmo tempo, apenas 7,6% do território nacional é ocupado por lavouras.
Estamos falando de uma das maiores potências agrícolas do planeta produzindo alimentos, fibras e energia utilizando menos de 10% do território nacional para agricultura.
Poucos países do mundo conseguem apresentar algo semelhante.
Enquanto isso:
Dinamarca utiliza cerca de 58,9% do território com lavouras.
Alemanha, aproximadamente 33,4%.
Holanda, 25,1%.
Reino Unido, 24,9%.
Ainda assim, o Brasil continua sendo tratado por muitos como o “vilão ambiental”.
O produtor rural brasileiro é obrigado por lei a preservar parte significativa da própria propriedade.
Na Amazônia Legal, até 80% da área deve permanecer preservada como Reserva Legal.
No Cerrado dentro da Amazônia Legal, 35%.
No restante do país, 20%, além das APPs em margens de rios, nascentes, encostas e topos de morro.
Nenhuma outra grande potência agrícola possui uma legislação ambiental rural dessa dimensão.
Estudos apontam que cerca de 99,9% das pradarias nativas originais de Iowa desapareceram.
Hoje, aproximadamente 85% do território do estado é ocupado pela agropecuária.
Tudo isso ocorreu décadas antes da existência de legislação ambiental, fiscalização ou exigências de preservação.
No Brasil, a expansão agrícola moderna ocorreu sob outro cenário.
O Cerrado, considerado improdutivo até os anos 1970, foi transformado pela ciência tropical desenvolvida pela Embrapa.
Foi pesquisa pública, correção de solo, tecnologia tropical, genética e manejo que permitiram ao Brasil se tornar referência mundial em produtividade agrícola.
Hoje, mais de 60% da soja brasileira é produzida no Cerrado.
Isso não significa que o Brasil não tenha problemas ambientais.
Temos desafios graves relacionados ao desmatamento ilegal, ocupação irregular, queimadas criminosas e falhas de fiscalização.
Mas existe uma enorme diferença entre combater ilegalidades e criminalizar toda uma agricultura que sustenta parte relevante da segurança alimentar global.
O agronegócio brasileiro já ultrapassa 350 milhões de toneladas de grãos por safra e representa aproximadamente 25% do PIB nacional.
O país lidera exportações globais de soja, café, açúcar, carne bovina, celulose e diversos outros produtos essenciais.
A agricultura brasileira não é perfeita.
Mas também está longe da caricatura simplista que parte do mundo tenta vender.
Talvez esteja na hora do debate internacional começar a olhar menos para slogans e mais para dados, ciência e proporcionalidade histórica.
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