Você pode fazer um cálculo perfeito e ainda assim tomar uma decisão de negócio ruim.
Alguém diferencia y = π⁴ e obtém y′ = 4π³.O detalhe importante é a variável. Em matemática, π geralmente representa uma constante. Se derivarmos y = π⁴ em relação a x, a derivada é 0.
O resultado y′ = 4π³ só faria sentido se estivéssemos tratando π como a variável de diferenciação.
O erro parece pequeno, mas muda toda a resposta.
Algo parecido acontece na ciência de dados aplicada.
Um modelo pode mostrar uma métrica tecnicamente alta e ainda assim apoiar uma decisão ruim sobre as pessoas.
Por exemplo, em um modelo de rotatividade de funcionários, 90% de precisão pode parecer excelente em uma apresentação. Mas se 90% dos funcionários não pedirem demissão durante o período analisado, um modelo que sempre prevê a ausência de demissão também pode alcançar 90% de precisão e falhar exatamente onde o RH precisa agir: identificar casos com maior risco de saída.
A métrica é calculada corretamente.
A interpretação pode levar a uma decisão ruim.
Outro caso é o recrutamento. Um painel pode mostrar que o tempo médio para contratação caiu de 35 para 20 dias. À primeira vista, isso parece uma clara melhora. Mas se a rotatividade inicial aumentar nos primeiros 90 dias, a métrica de velocidade está escondendo um problema de qualidade no processo de seleção.
Também pode acontecer com o treinamento. Uma equipe pode relatar 95% de conclusão dos cursos obrigatórios. O número parece forte, mas se avaliações subsequentes mostrarem que erros operacionais continuam ocorrendo, a frequência ao curso não está capturando aprendizado real.
É aí que a precisão matemática precisa estar conectada à decisão que está sendo tomada.
Antes de otimizar um modelo ou apresentar uma métrica, vale a pena revisar qual decisão dependerá do resultado, de quão custosos são os erros e qual indicador representa melhor esse custo.
Porque na ciência de dados, uma métrica alta não garante uma boa decisão.
A verdadeira precisão aparece quando o cálculo responde à pergunta de negócios correta.
Que exemplo você já viu em que uma boa métrica acabou escondendo um resultado ruim?
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