SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Minha semana de resoluções

 

Nesta semana, obtive uma vitória gigantesca: retirei um documento que estava havia nove anos esperando por mim (quero acreditar que ele me esperava mais do que eu a ele). Finalmente!

O ar parece até ter mudado. E tudo me pareceu fácil... fácil até demais; um tanto suspeito, até.

“Moça, tem certeza de que é meu? Posso mesmo levar para casa? Nada vai me acontecer no caminho? É uma pegadinha?” Eram esses os questionamentos que me passavam pela cabeça enquanto, depois de assinar a retirada, eu guardava o papel no envelope.

Sabe, não acredito muito que “conquistamos” algumas coisas. Acho que nós conquistamos a nós mesmos, e o resto é bênção de Deus e trabalho esforçado. Já é tão difícil conquistar a si mesmo que talvez seja por isso que a gente prefira o ditado de matar um leão por dia.

Não pensem que foi meramente um grande desleixo de minha parte. Tentei buscá-lo durante quatro anos inteiros e colecionei frustrações, informações erradas e atendentes de má vontade. Depois do quinto ano, cansei. Só de pensar em resolver essa batata quente já me dava ziquizira, e aprendi a postergá-la como ninguém. Bem, agora que a água bateu no bum-bum, não tive como continuar varrendo o problema para debaixo do tapete.

Além dessa proeza miraculosa, entreguei e defendi minha monografia — uma fobia que carrego desde menina, quando ouvi, pela primeira vez, essa palavra assustadora e descobri o que ela significava no universo acadêmico.

Bem...

Resolvi.

Resolvido está.

Que estranho!

É uma vida nova, à qual estou completamente desacostumada. Não reconheço essa leveza na corcunda que, de repente, passou a fazer parte de mim... até o próximo fardo.

Sinto prazer em ressaltar que a condição da minha vitória em todas essas coisas — e em muitas outras — foi o apoio precioso que recebi.

Falando em vitórias, percebi que as pessoas costumam assoviar somente quando a vida as inspira — mesmo quando ela nos encurrala. Passei, então, a dar muito mais valor aos meus próprios assovios — outra conquista árdua, para a qual treinei durante muitos meses na adolescência. Hoje, “canto” feliz. Existe coisa mais gostosa do que fingir conversar com passarinhos e cantarolar a melodia de uma música cuja letra você nem precisa lembrar direito?

A vida é gostosa demais. Sim, apesar dos dessabores.

Outra coisa que me surpreendeu esta semana foi o jogo do Brasil contra o Japão. Acertei o placar: 2 a 1! A parte mais espantosa, para mim, foi termos vencido. E, claro, veio o resto: todo mundo tendo um filho quadriculado, ruas cobertas por gritos, choros e ranger de dentes de quem arrancou o estofado do sofá e a calcinha ou a cueca pela cabeça.
Povo doido ou apaixonado?
Cada um com sua tarja.

Talvez eu tenha escrito tudo isso porque ainda não sei quais serão os próximos passos. Quando a gente passa tanto tempo tentando resolver a vida, estranha um pouco quando ela, enfim, abre espaço para seguir em frente.
E a sua semana, como foi?


Nenhum comentário:

Postar um comentário