SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.
sábado, 4 de julho de 2026
A trajetória mostra como ciência, baixo custo e impacto no campo podem caminhar juntos
Um estudante de 18 anos do interior da Bahia transformou a erva-doce em um fungicida natural capaz de reduzir a presença de fungos em grãos de café. Kenisson M Brito, natural de Barra do Choça e aluno da Escola SESI Anísio Teixeira, em Vitória da Conquista, desenvolveu o projeto AnisGuard a partir de compostos extraídos da Pimpinella anisum, nome científico da planta, para combater o Penicillium spp., fungo que compromete a qualidade do café após a colheita.
Nos testes de laboratório, o extrato reduziu em até 83,8% a carga fúngica nos grãos, com custo estimado até quatro vezes menor que o de fungicidas sintéticos tradicionais. A descoberta representa uma alternativa relevante para pequenos produtores, já que perdas no pós-colheita afetam diretamente a qualidade do café e a renda de quem depende da produção. A ideia nasceu da observação de problemas reais da região, onde o café tem peso econômico importante. O trabalho, orientado pela professora Winne Katharine Souza Rocha e coorientado por Gislaine Amorim Santos, também avaliou o potencial do extrato como biofertilizante, apontando para uma solução agrícola multifuncional.
A pesquisa conquistou o primeiro lugar em Ciências Agrárias na FEBRACE - Feira Brasileira de Ciências e Engenharia 2026, maior feira de ciências e engenharia do Brasil, e representou o país na Regeneron ISEF 2026, em Phoenix, nos Estados Unidos. Na etapa mundial, Kenisson ficou em 4º lugar na categoria Plant Sciences e recebeu um prêmio de US$ 600, entre jovens cientistas de diferentes países.
A trajetória mostra como ciência, baixo custo e impacto no campo podem caminhar juntos, e como uma planta comum pode ganhar novo valor quando passa por pesquisa, testes e aplicação prática longe dos grandes centros científicos.
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