SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

sexta-feira, 27 de março de 2026

PARTIDO DOS TRABALHADORES CEARA 2026! A História não se apaga, não se compra, não se enterra.




A História que tentam enterrar no berço das oligarquias floresceu pelas frestas do asfalto, regada pelo suor de quem nunca teve vez. Quisera a mando dos currais eleitorais e das alianças de sangue que o nome Lula fosse apenas uma sílaba sufocada, que o PT fosse uma semente jogada ao sal. Mas a voz que emudece nas redações engravatadas ecoou nos pés descalços, nos braços cruzados das fábricas, nas encruzilhadas onde o povo aprendeu que a democracia não se pede — se constrói com as próprias mãos.

Eles, os de sempre, os donos da terra e do verbo, costuraram nos cartórios o pacto das famílias perpetuadas. Trocaram siglas como quem troca gado, venderam o Estado a peso de ouro em emendas e currais, compraram votos como se compra consciência a prestações. Para eles, a política é espólio, e a renovação, ameaça. Mas o que fazem quando o silenciado desaprende o medo? Quando o trabalhador, o nordestino, o sem-terra, o operário, o preto da periferia descobre que sua existência é, por si só, um ato de insurgência?

A pergunta que lateja na história não é sobre quem venceu as eleições. É sobre quem tem o direito de narrar o que vivemos. Se será o neto do coronel que escreve nos livros didáticos a versão que lhe convém. Se será o editorial que chama golpe de “impeachment” e entrega ao rentismo as chaves do país. Ou se será, enfim, o povo — esse povo que fez o PT antes que o PT se perdesse de si, que construiu nas bases o partido que um dia assombrou a elite com a possibilidade de um país mais justo.

Eis a ferida: quem construiu o PT? Foi a militância que dormiu em ginásio, foi o sindicalista de unha encravada, foi a dona de casa que aprendeu política na luta por creche, foram os que fundaram um partido para ser instrumento de libertação — ou foram as oligarquias que, depois, se apropriaram da vitória para entregar o governo aos banqueiros, aos ruralistas, à velha política que sempre mamou nas tetas do Estado? 

A resposta não cabe em manchete. Mas a verdade é que a história não se apaga, não se compra, não se enterra. Os que agora se aliam ao desmonte, os que silenciam para não perder a fatia do bolo, os que mentem para os pobres em nome de uma governabilidade que vende a alma a bilionários, também serão escritos — e não como heróis. Serão registrados como os que tiveram a chance de romper com o passado e preferiram fazer acordos com ele. Os que assistiram de braços cruzados à destruição do que custou décadas para ser construído.

Aos que se calam por conveniência, aos que travestem traição de realismo, aos que chamam de “governabilidade” o abandono da luta de classes: a história não absolve covardes. Ela os expõe. Ela guarda a memória de quem esteve ao lado do povo e de quem usou o povo como escada para, depois, sentar-se à mesa com aqueles que sempre quiseram nos ver de joelhos. 

Não haveria Lula presidente se fosse para essa história ser semeada em estados dominados por oligarquias. Mas a semente não pede licença ao latifúndio para germinar. Ela rompe a terra seca, desafia a seca, desafia a morte. Hoje, o que tentaram apagar resiste. A voz que tentaram calar grita. E a pergunta — quem tem o direito de contar a história? — é a própria senha para que nunca mais nos enganem para uma história que não seja tecida por nós, com a nossa própria voz, contra aqueles que sempre quiseram nos fazer personagens secundários de um enredo que é, e sempre foi, nosso. 

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