Quando não importa a lei, nem as regras, nem o talento, nem a nota, o que resta é a casca vazia da instituição. O que prevalece é a lógica bruta do aparelhamento, onde o Estado de Direito cede lugar a acordos de bastidores e a nomeações que desafiam a lógica do serviço público — como quando pessoas são alçadas a cargos estratégicos ou liberadas para mestrados antes mesmo de cumprir o estágio probatório. Nesse cenário, a estrutura que opera desde o Sarto, remanescente dos antigos "capitães do mato", continua operando na gestão da educação de Evandro, revelando que, para a máfia instalada, não importam as eleições nem a democracia; importam os acordos, a cooptação e a perpetuação no poder por meio da corrupção estrutural.
Essa realidade não é nova na história do Brasil. Autores como Darcy Ribeiro, em O Povo Brasileiro, já alertavam para o caráter oligárquico que sempre atravessou nossa educação, vista ora como privilégio, ora como instrumento de domesticação e curral eleitoral. Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido, é talvez o maior crítico desse sistema que nega a vocação ontológica do ser humano de ser mais, denunciando como a educação bancária serve a uma estrutura de opressão que se alimenta da exclusão e do silenciamento. Quando os dados oficiais, como os do SPAECE, mentem sobre a alfabetização e ocultam o caos das escolas municipais, vivemos o que Jessé Souza, em A Elite do Atraso, chama de "gramática da corrupção": uma tecnocracia que utiliza números forjados para sustentar um marketing mentiroso, enquanto a vida de professores e alunos é desprezada.
A luta contra esses poderes é também uma luta jurídica e ética. Eduardo Galeano, em As Veias Abertas da América Latina, descreveu como as oligarquias locais sempre se aliaram ao capital predatório para saquear o público, na Fortaleza dos bilionários que não pagam bilhões em impostos com incentivos fiscais, reduzindo o orçamento da educação e saúde, das oligarquias há décadas no poder comprando votos e barrando as investigações de corrupção e seus respectivos capitães do mato e tecnocratas operando os chicotes dos acordos e a cooptação eleitoral por um favor que é direito. Hoje, essa aliança se traduz nas máfias das construtoras que operam na sombra das secretarias de educação, erguendo um império sobre a miséria pedagógica. Mas há um fio de resistência que não se rompe. Assim como a Assembleia Nacional Francesa, na figura de Maximilien Robespierre, enfrentou as facções corruptas durante a Revolução, denunciando que "a virtude sem luta é impotente", nós, educadores perseguidos, nos tornamos a consciência incômoda desse sistema.
Eu, que fui aposentado arbitrariamente e depois desaposentado, que fui movido de escolas sem solicitação, perseguido e ameaçado por essa ditadura das oligarquias e seus respectivos "capitães do mato", aprendi que a resposta não está na omissão. Levei as denúncias ao Ministério Público, à Justiça e à Polícia Federal, comprovando com números e documentos o uso fraudulento do Estado e das prefeituras para criar um falso "case" de sucesso educacional. A gestão que começou com Sarto e que ainda opera na Prefeitura de Fortaleza repete o mesmo padrão de destruição das finanças públicas e do tecido social que já havia endividado a Prefeitura.
Continuamos na luta. Sem mandato, sem financiamento público, porque acreditamos que a lei, as regras, o talento e as notas precisam ser, de fato, os pilares de uma educação boa, bela, justa e economicamente sustentável para todos. A nossa causa não é por privilégio, mas contra o poder que corrompe; não é por vaidade, mas contra as mentiras que tentam normalizar o insuportável. Enquanto houver um professor de pé, denunciando a máfia e exigindo que a democracia seja mais do que um voto capturado pelas oligarquias, a educação ainda será uma trincheira. E é nessa trincheira que provamos, dia após dia, que quando não importa a lei para os opressores, importa a resistência para os que recusam se curvar. Mas sobra a esperança sem medo e com amorosidade que os Professores falem o que acontece nas escolas e que o uso da máquina e corrupção seja punida em Fortaleza e no Ceara. Que a Justiça, a Polícia Federal, e o TSE escute e aja!
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