SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

sexta-feira, 13 de março de 2026

VORCARO SALVE A REPÚBLICA ! Entregue todos na delação!




E o que faz o povo brasileiro enquanto a máfia opera em plena luz do dia? Dorme. Acorda, reclama nas redes sociais, compartilha memes, e volta a dormir. O Brasil é um gigante entorpecido pelo analfabetismo político e anestesiado pelo entretenimento barato. Enquanto os Vorcaro da vida articulam seus golpes nos gabinetes, a população discute quem saiu do "Big Brother" ou qual a nova polêmica do futebol. 

A máfia não age sozinha. Ela conta com a cumplicidade do silêncio. O silêncio da imprensa que prefere pautas fúteis a investigar as conexões profundas do poder. O silêncio das universidades que formam tecnocratas para alimentar o sistema, não para questioná-lo. O silêncio das igrejas que trocam a denúncia profética por assentos cativos nas solenidades oficiais. O silêncio do cidadão que, diante da complexidade do sistema, cruza os braços e diz: "não adianta, é tudo igual". 

"Entregue todos na delação!" – este grito que ecoa não é um pedido de vingança cega, mas o desespero de quem percebe que o sistema de Justiça se tornou uma peneira: fina para peixes pequenos, escancarada para tubarões. As delações premiadas, que deveriam ser um instrumento de combate ao crime organizado, tornaram-se um balcão de negócios onde se negocia a própria verdade. Delata-se o subordinado para proteger o chefe. Entrega-se o escriturário para salvar o banqueiro. Sacrifica-se o político do interior para blindar o ministro do Supremo. 

E assim a engrenagem segue. 

O que Ninguém Nunca Fez no Brasil 

"Faça o que ninguém nunca fez no Brasil, dando continuidade!" Nós clamamos por uma ruptura que não seja apenas um espasmo de raiva, mas uma mudança estrutural, duradoura. O que ninguém nunca fez neste país foi, de fato, responsabilizar a todos sem exceção. Não apenas o executor do crime, mas o mandante intelectual. Não apenas o banqueiro preso, mas o ministro que viajou em seu jatinho. Não apenas o pastor que doou, mas o político que recebeu sabendo a origem da propina. Não apenas o governador que tentou salvar o banco podre, mas o técnico do Banco Central que olhou para o lado e fingiu que não era com ele. 

O que ninguém nunca fez foi desmontar o orçamento secreto, essa rubrica fantasma que corrompe o parlamento e sequestra a dignidade do orçamento público, transformando deputados e senadores em meros prepostos de um executivo que os compra com emendas impositivas. 

O que ninguém nunca fez foi extirpar o corporativismo que blinda as corporações. A PF investiga, mas não investiga a si mesma? O MP denuncia, mas denuncia seus próprios membros quando viram advogados de bandidos? O STF julga, mas quem julga os ministros do STF quando suas togas viram escudos para negócios escusos de suas famílias? 

O que ninguém nunca fez foi alfabetizar politicamente a nação. Enquanto o brasileiro não entender que o voto não é um favor, mas uma ferramenta de poder; enquanto não compreender que um político não é um "pai dos pobres", mas um gestor de recursos públicos que deve ser fiscalizado diariamente; enquanto não perceber que a corrupção começa na pequena propina que se paga ao guarda e termina no bilionário desvio de verbas da educação – enquanto isso não for uma consciência coletiva, a máfia sempre encontrará terreno fértil. 

A República que Sangra 

A República não acabou. Ela sangra. Sangra nas veias abertas do povo que morre à míngua nos hospitais públicos. Sangra nos olhos das crianças que estudam em escolas sem estrutura enquanto bilhões são desviados para encher os bolsos de empreiteiras. Sangra no desespero do trabalhador que vê seu fundo de pensão virar pó em operações fraudulentas. 

E enquanto isso, eles dançam. Dançam no Carnaval da impunidade. Dançam nos resorts de Porto de Galinhas com dinheiro desviado da previdência. Dançam nos jatinhos que cruzam o céu enquanto o povo se amontoa em ônibus caindo aos pedaços. 

O Brasil não precisa de salvadores da pátria. Precisou, no passado, e viu os salvadores virarem ditadores. O Brasil não precisa de milagres. Precisa de justiça. Precisa que a lei seja cumprida para todos, começando por aqueles que deveriam aplicá-la. 

A pergunta que fica ecoando nos meus textos anteriores, é: até quando? Até quando o povo brasileiro aceitará ser tratado como gado, como massa de manobra, como números em planilhas de banqueiros? Até quando aceitaremos que a nossa fé seja sequestrada por pastores empresários? Até quando toleraremos que os três poderes da república atuem como os três porquinhos – cada um construindo sua casinha de privilégios enquanto o lobo mau, que é a fome e a miséria, devora a população? 

A resposta, amigo leitor, não está nos palácios. Não está nas togas. Não está nas delações seletivas. A resposta está na rua. Nas urnas. Na consciência de cada um. 

Ou acordamos, ou continuaremos sendo o país do futuro... que nunca chega. 

 

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