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quinta-feira, 12 de março de 2026

THE TESTAMENT OF ANN LEE

 



Resumo da História e Trama 

A narrativa é dividida em capítulos e acompanha a vida de Ann Lee desde sua juventude na Inglaterra até seu legado na América. 

  • Origens e Trauma na Inglaterra: Nascida em 1736 em Manchester, Ann (Amanda Seyfried) cresce em meio à pobreza e ao trabalho infantil. Quando criança, ela testemunha os pais tendo relações sexuais, um evento que a traumatiza e a faz associar o ato carnal à degradação. Jovem, ela se sente atraída pelos "Shaking Quakers" (Quakers Tremulantes), um grupo radical que expressa a fé através de danças extáticas e que prega que a segunda vinda de Cristo se daria na forma de uma mulher. 

  • Casamento e Perdas: Contra sua vontade, Ann é casada com Abraham Standerin (Christopher Abbott), um ferreiro. Ela passa por quatro gestações, e todos os seus quatro filhos morrem ainda na infância. Uma sequência particularmente dolorosa mostra a dificuldade de Ann em entregar o corpo de um dos bebês já sem vida. Ela interpreta essas tragédias como um castigo de Deus pelo "pecado" da relação sexual. 

  • Revelação e Liderança: Após ser presa por perturbar a ordem com seus cultos barulhentos, Ann tem uma visão na cela. Ela passa a acreditar que é a segunda vinda de Cristo e que a salvação só é possível através da abstinência sexual e da confissão pública dos pecados. Ao sair da prisão, ela se torna a líder do grupo, que passa a ser conhecido apenas como Shakers. 

  • Jornada para a América: Em 1774, com um pequeno grupo de seguidores — incluindo seu irmão William (Lewis Pullman) e sua amiga devotada Mary Partington (Thomasin McKenzie) — Ann foge da perseguição religiosa e embarca para a América. A viagem de navio é perigosa, mas é marcada por cenas musicais de fé inabalável. 

  • Utopia e Conflito no Novo Mundo: Chegando em Nova York, Ann condena publicamente um leilão de escravos, demonstrando os princípios igualitários dos Shakers . Eles fundam uma comunidade autossustentável no interior do estado de Nova York, baseada no celibato, na igualdade de gênero e raça, no trabalho duro e na posse comunitária de bens. No entanto, a comunidade pacifista enfrenta hostilidade violenta de vizinhos que os veem como hereges ou traidores (especialmente durante a Guerra da Independência), culminando em ataques brutais. 

  • Desfecho: O filme cobre a vida de Ann até sua morte, deixando claro o paradoxo de sua fé: uma religião que proíbe a procriação estava, naturalmente, fadada à extinção. O epílogo informa que, hoje, restam apenas dois ou três Shakers vivos. 

🎭 Principais Características e Temas 

  • Gênero Híbrido: Não é um musical tradicional. As canções (compostas por Daniel Blumberg, vencedor do Oscar por O Brutalista) surgem organicamente dos momentos de adoração, funcionando como "números de dança" que misturam coreografias modernas e circulares. 

  • Perspectiva Feminina: O filme explora o corpo feminino, a dor do parto, a autonomia e a liderança espiritual em uma época dominada por homens. Ann Lee é retratada como uma figura radical que desafia as estruturas de poder. 

  • Psicologia vs. Fé: A narrativa sugere que a teologia de Ann (aversão ao sexo) é uma resposta psicológica ao seu trauma, mas sem nunca desrespeitar a sinceridade de sua fé. A questão central é: Ann era uma louca ou uma profetisa?. 

  • Estética Visual: Filmado em 35mm ou 70mm, o filme é elogiado pela recriação meticulosa do século XVIII, da sujeira de Manchester à luz rural da América. 

⭐ Análise das Críticas Especializadas 

O filme recebeu críticas majoritariamente positivas, sendo elogiado por sua ousadia, mas também apontado como uma obra que pode ser difícil de amar completamente. 

😊 Pontos Altos (Elogios) 

  • Atuação de Amanda Seyfried: Críticos são unânimes em considerar a performance de Seyfried como o coração do filme. A revista Time descreve seus olhos como capazes de "canalizar mensagens de um mundo divino", enquanto a Culture destaca sua capacidade de tornar a personagem "física, faminta, mas contida e intensa". 

  • Originalidade e Ousadia: A mistura de filme de época com números musicais abstratos foi considerada "hipnótica" e diferente de tudo o que já foi feito. O Hollywood Reporter admite que, mesmo com ressalvas, "é certamente um filme em que nunca fiquei entediado". 

  • Sequências Musicais: A coreografia de Celia Rowlson-Hall e a trilha de Daniel Blumberg foram amplamente celebradas. A cena do navio ("All is Summer") e a sequência da fabricação de caixas ("I Love Mother") são citadas como momentos de puro êxtase cinematográfico. 

  • Respeito Histórico e Temático: Apesar de especulativa, a obra é vista como um tratamento respeitoso e sério de um capítulo pouco conhecido da história religiosa americana, tratando a fé dos personagens com dignidade. 

🤔 Pontos de Controvérsia ou Críticas 

  • Frieza Emocional e Distanciamento: A principal crítica, especialmente do Hollywood Reporter, é que o filme é "mais fácil de admirar do que amar". A protagonista, Ann Lee, permanece uma figura opaca; sabemos de sua crença, mas pouco de sua intimidade psicológica para justificar um épico de 2 horas e 15 minutos. 

  • Ritmo e Repetição: Alguns críticos apontaram que o filme se torna um "slog repetitivo" em alguns momentos, com a estrutura narrativa parecendo menos uma jornada e mais uma série de eventos sobre a perseguição aos Shakers . 

  • Personagens Secundários: Enquanto Ann é bem desenvolvida, figuras importantes como seu irmão William (Lewis Pullman) e o narrador (Mary) são considerados pouco aprofundados, servindo mais como funções na história do que como pessoas. 

  • Culto à Personalidade: A Time levantou um ponto interessante: o filme é tão "adorador" em relação a Ann Lee que não reconhece o quão "assustador" pode ser o poder que uma única pessoa exerce sobre os outros, criando uma dinâmica de culto que o filme não critica abertamente. 

 

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