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quinta-feira, 23 de julho de 2026

O macaco-prego é um dos animais não-humanos com uso de ferramentas mais documentado do mundo


 O macaco-prego é um dos animais não-humanos com uso de ferramentas mais documentado do mundo, e a descoberta de sítios arqueológicos de uso de pedras com mais de 700 anos no Piauí confirmou que esta não é uma capacidade recentemente desenvolvida — é uma tradição cultural com profundidade histórica comparável à de muitas práticas humanas.


A técnica de quebra de castanhas usando martelo e bigorna de pedra é sofisticada: requer selecção activa de pedras com características específicas de peso, dureza e forma; calibração da força de impacto para o tipo específico de noz ou semente sendo quebrada; e posicionamento preciso da presa na superfície de bigorna. Erros de calibração resultam em noz completamente destruída (força excessiva) ou em noz não aberta (força insuficiente).

O processo de aprendizagem é longo e social: filhotes observam as mães a usar ferramentas durante três a cinco anos antes de tentarem independentemente. Esta duração de aprendizagem observacional é comparável à aprendizagem de competências complexas em crianças humanas e é um dos argumentos centrais para o reconhecimento de cultura não-humana em primatas.

O estudo publicado em 2016 na revista Current Biology documentou sítios de uso de pedras no Parque Nacional Serra da Capivara com datação de radiocarbono de 600 a 700 anos — tornando esta a evidência mais antiga de uso de ferramentas de pedra por qualquer animal não-humano, superando em antiguidade muitos registos arqueológicos de uso de ferramentas por Homo sapiens em várias regiões.

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