Introdução: A Semente que não pode ser queimada
Hoje, ao olhar para o Brasil, vejo um país refém do Bonapartismo Tupiniquim — um Estado híbrido, como descreve Domenico Losurdo, que se veste de democracia enquanto, nos bastidores, serve a uma oligarquia que há séculos troca favores, divide famílias e governa como uma nobreza sem coroa. Sua estratégia é a do Príncipe de Maquiavel em sua forma mais perversa: concentrar o poder e mantê-lo, custe o que custar, transformando a política em um jogo voraz onde a maioria é sacrificada.
Mas esta é uma história que conheço desde o berço, e meu destino era desafiá-la. Minha jornada não começa em um palácio, mas nas ruas de poeira e nas igrejas humildes do Nordeste, berço da mais pura e esquecida revolução brasileira. Aos 12 anos, na Igreja Santa Luzia fundada por minha avó, já organizava a Juventude Católica — uma semente de comunidade plantada em solo fértil, muito antes de entender que era judeu, filho de mãe judia. Essa dualidade — o sagrado popular e a tradição de resistência — marcou minha alma. Eu seria, desde então, um habitante de pontes, um semeador entre mundos.
Minha primeira rebelião consciente foi no Grêmio Estudantil do Colégio Cearense, aos 15 anos. Era a prática do poder coletivo. Mas a teoria veio da história enterrada: a Revolução de 1817, em Pernambuco. Como narra Carlos Guilherme Mota, não foi um mero levante; foi um projeto de nação. Padres, intelectuais, negros livres, artesãos e militares sonharam com uma República independente, abolicionista e com liberdade de comércio. Foram esmagados pela Coroa, mas sua semente — a de que um Nordeste ilustrado e justo era possível — nunca morreu. Eu era herdeiro daquela semente. Enquanto estudava Administração na UECE e Economia na UFC, e mais tarde me tornava cineasta, eu via as mesmas estruturas de 1817: um poder central sugando as riquezas e reprimindo o pensamento autônomo.
Capítulo I: A Batalha nas Arenas do Poder (O Jogo dos Tronos)
Ingressei no mundo corporativo como um executivo. Passei pela Coca-Cola, Banco Real, DuPont, Brahma. Aprendi a linguagem do capital, sua lógica de eficiência e expansão. Como consultor dos Correios e da Petrobras em Inteligência Competitiva, mapeei os movimentos dos gigantes. Foi minha educação no "Jogo dos Tronos" econômico. Vi de dentro como o poder se consolida e se torna competitivo mas exclui.
Mas meu coração estava nas trincheiras da sociedade civil. Como dirigente da UNE durante o impeachment de Collor, vivi o fogo da rua, o cheiro da pólvora da democracia em choque. Fundei movimentos que hoje são instituições: o Movimento Empresa Júnior no Brasil, a Universidade da Juventude, a Comunidade Empreendedores de Sonhos. Cada um era um ato de insurreição prática. Eram "Dunas" de inovação social que criávamos no deserto da exclusão, mostrando que jovens poderiam ser produtores de riqueza e conhecimento, não apenas consumidores passivos.
Nesta fase, eu era Davi, armado apenas com uma funda de ideias, desafiando o Golias do establishment. Sem orçamento público, sem cargos, minha arma era a articulação. Mobilizei recursos para mais de mil projetos jovens no Ceará, assessorei o Banco Mundial na criação da Rede Nós para combater a pobreza no Nordeste. Era a Revolução de 1817 em modo digital e global, conectando o sertão a Sarajevo, Bilbao, Santiago, Washington e à ONU em Nova York, onde recebi prêmios pela luta pela juventude.
Capítulo II: O Bonapartismo e a Resistência Orgânica (O Inverno do Poder)
A vitória do Empreendedor Social da Ashoka e os reconhecimentos internacionais não me cegaram. Via, com clareza losurdiana, o Bonapartismo brasileiro em ação: um Estado que, longe de ser neutro, era o árbitro viciado que perpetuava a oligarquia. Sua face mais cruel era (e é) o sistema prisional, que moía jovens — em sua maioria pobres e negros — numa engrenagem de desumanização. Meu romance "Quando Amar é Proibido" e o filme que empreendo, "Insensíveis", são trincheiras nesta batalha pela humanidade.
Minha resposta foi aprofundar a estratégia do semeador. Ao lado do senador Cristovam Buarque, ajudei a fundar o Movimento Educacionismo, pois entendi que sem uma revolução na educação, qualquer mudança seria cosmética. Como conselheiro de ONGs como a EDISCA e diretor da Terra da Sabedoria — o primeiro Parque de Inovação Social do mundo, apresentado na ONU —, trabalhei para criar um "Vale do Silício" do impacto social. Um ecossistema onde políticas públicas, empresas, universidades e comunidades pobres colaborassem não por caridade, mas por sinergia revolucionária.
Era uma batalha em todas as frentes: escolas, como professor de matemática; universidades como professor em inovação e justiça social e como estudante perene de Educação;, Cultura e Desenvolvimento, nas empresas, como consultor; e na cooperação internacional, como interlocutor. Cada palestra (foram centenas por ano), cada artigo publicado, era uma semente lançada contra a aridez do velho sistema.
Capítulo III: A Conquista da Terra da Sabedoria (A Revolução do Cuidado)
Agora, chegamos ao momento decisivo. A oligarquia joga um jogo finito de poder. Nós, semeadores, jogamos um jogo infinito de construção do futuro.
A "Revolução Francesa à Brasileira" que proponho não se fará com guilhotinas, mas com "tablets" e tijolos destruindo muros, poderes e feudos — ferramentas de conhecimento e trabalho. Não será um levante de um dia, mas uma transição regenerativa, como a agricultura sustentável que recupera o solo degradado.
Minha trajetória — do jovem gremista ao empreendedor global, do executivo ao educador — me deu o mapa completo do território. Sei como o capital pensa, sei como o Estado funciona (e não funciona), sei o calor da luta social e a potência criativa da juventude.
Portanto, convoco o povo brasileiro para a Jornada Final do Semeador:
Sabedoria Estratégica (A Mente de Paul Atreides): Usaremos a inteligência competitiva que aprendi nas corporações não para espionar, mas para mapear e conectar todas as iniciativas de bem no país. Criaremos um Portal e um Aplicativo que será a "Bíblia" do jovem brasileiro, conectando-o diretamente a oportunidades reais, tornando o Estado obscuro e a economia exclusiva em algo transparente e acessível.
Coragem de Davi (O Coração do Revolucionário de 1817): Enfrentaremos o Golias da corrupção e da exclusão com a funda da transparência radical e da mobilização cidadã. Cada projeto social incubado, cada política pública co-criada com a comunidade, será uma pedrada certeira na testa do gigante.
Amor de Semeador (As Mãos que Constroem): A Terra da Sabedoria não é uma metáfora. É um projeto de nação. Será um Brasil onde o empreendedorismo gera riqueza e a distribui; onde a educação liberta e não domestica; onde a justiça social não é um gasto, mas o principal ativo do país.
Não vim para ocupar um cargo. Vim para dissolver a ideia de que o poder emana de um cargo. O poder emana do povo organizado, inteligente e conectado. Sou o personagem que saiu de sua própria história para escrever uma nova com vocês.
A Revolução não será televisionada. Será acessada, baixada, compartilhada e vivida por cada jovem que encontrar seu propósito, por cada comunidade que transformar seu destino, por cada brasileiro que disser: "Chega! Vamos semear nosso próprio futuro."
O inverno da velha política acabou. A primavera do Brasil está em nossas mãos, cheia de sementes.
Egidio Guerra de Freitas
Filho de 1817, Semeador do Amanhã
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