Num mundo onde 7 pode ser 10 e 70% pode representar 100%, revela-se uma verdade fundamental: os sistemas de medida que criamos são, por essência, incompletos. Quando o objetivo é a criatividade, a relação entre cultura, educação e economia reside precisamente naquilo que escapa às objetividades das provas, teorias e ciências estabelecidas. Esta dimensão imensurável é onde a verdadeira inovação germina.
Os "tijolos" metaforizados pelo Pink Floyd em Another Brick in the Wall devem, de fato, derrubar os muros do modelo tradicional de ensino. É preciso substituir a lógica da prova punitiva por ecologias de aprendizagem que valorizem a pesquisa, a extensão e o diálogo intercultural. Uma educação interdisciplinar, intersetorial e sistêmica, capaz de reconhecer múltiplas epistemologias e formas de conhecimento.
A história está repleta de exemplos que comprovam como as métricas tradicionais falham em capturar o potencial criativo:
Albert Einstein teve dificuldades na escola tradicional, com um professor chegando a dizer que ele "nunca chegaria a lugar nenhum". Sua revolução na física surgiu justamente de sua capacidade de pensar fora dos sistemas estabelecidos.
Charles Darwin foi considerado um estudante medíocre, mas sua curiosidade observacional e pensamento conectivo revolucionou nossa compreensão da vida.
Vincent van Gogh vendeu apenas uma pintura em vida, sendo considerado um fracasso pelo sistema artístico de sua época. Sua percepção única do mundo só foi valorizada postumamente.
Steve Jobs, que abandonou a faculdade, revolucionou a economia global ao conectar criatividade, design e tecnologia de maneiras imprevistas pelos modelos tradicionais de negócio.
Lygia Clark e Hélio Oiticica, artistas brasileiros, transcenderam as categorias estéticas estabelecidas, criando obras que dialogavam com o corpo, o espaço e a participação, desafiando os critérios convencionais de avaliação artística.
Quando 7 vira mil, não se trata de mera inflação numérica, mas do reconhecimento de que o potencial humano não cabe em escalas limitadas. A verdadeira educação é aquela que consegue enxergar o imensurável, valorizar o incompleto como espaço de possibilidade, e transformar a incerteza em motor criativo.
Num mundo complexo e em transformação acelerada, precisamos menos de provas que classificam e segregam, e mais de processos educativos que conectem, problematizem e libertem. A economia criativa do século XXI não será construída por reprodutores de respostas prontas, mas por questionadores capazes de formular novas perguntas – justamente aquelas que as provas tradicionais não sabem como avaliar.
O desafio contemporâneo é construir instituições de aprendizagem que sejam tão incompletas, complexas e abertas quanto a realidade que pretendem compreender e transformar. Onde a nota seja apenas um dos muitos elementos em um ecossistema de desenvolvimento humano, e onde a excelência seja medida não pela conformidade, mas pela capacidade de criar novas conexões entre cultura, educação e economia em prol de um mundo mais justo e inventivo.
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