SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Revolução Cultural Democrática Brasileira em Cannes, no Oscar e no Globo de ouro!

 



Esta Revolução Cultural que o Brasil consolida em 2026 não é apenas um fenômeno estético, mas uma profunda reestruturação da nossa soberania. Filmes como "Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, e "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, operam como catalisadores de uma memória que se recusa a ser silenciada, provando que o desenvolvimento de uma nação é indissociável da sua capacidade de narrar a própria história.

A Luta pela Memória contra a Ditadura !
Para entender esse momento, é preciso recorrer a Pierre Bourdieu. O sociólogo francês nos ensinou que a cultura é uma forma de capital — o "capital cultural". Durante décadas, a Ditadura Militar e as elites subsequentes tentaram monopolizar esse capital, impondo um "gosto" e uma narrativa que invisibilizava o povo. Quando Fernanda Torres personifica Eunice Paiva, ela não está apenas atuando; ela está redistribuindo esse capital, transformando a dor privada de uma família em um ativo simbólico da democracia brasileira.
Neste contexto, o cinema brasileiro atual desafia o que Michel Apple descreve como o "conhecimento oficial". Apple alerta que as instituições (como o cinema e a escola) muitas vezes reproduzem as desigualdades ao selecionar quais histórias merecem ser contadas. A revolução que vemos hoje subverte essa lógica: ao filmar o "agente secreto" nas sombras da história ou a resiliência de uma mãe contra o Estado, o cinema brasileiro retira o poder das mãos dos opressores e o devolve ao cidadão comum, fazendo da tela um espaço de currículo crítico e emancipador.



A Cultura como Motor do Desenvolvimento em Celso Furtado
A fundamentação econômica dessa revolução reside no pensamento de Celso Furtado. Para o economista paraibano, o subdesenvolvimento não era apenas falta de recursos, mas uma "insuficiência de criatividade". Furtado argumentava que o verdadeiro desenvolvimento só ocorre quando a cultura deixa de ser um ornamento e passa a ser o eixo central das políticas públicas.
A presença maciça do Brasil no Oscar e no Globo de Ouro em 2026 é a prova material da tese de Furtado: ao investirmos na diversidade de nossas histórias — do samba de raiz à Tropicália de Gil e Caetano, do Clube da Esquina à batida visceral dos Racionais — criamos uma economia que gera valor não apenas em divisas, mas em identidade. A cultura é o "setor estratégico" que permite ao Brasil deixar de ser exportador de commodities para ser exportador de inteligência e subjetividade.

De Glauber ao Povo: A Conquista da Tela
Essa trajetória de ascensão é uma linha que conecta o passado revolucionário ao presente vibrante. A estética da fome de "Deus e o Diabo na Terra do Sol" evoluiu. Se Glauber Rocha filmou o transe do sertão, filmes como "Central do Brasil" e "Cidade de Deus" pavimentaram o caminho técnico e narrativo para que pudéssemos, hoje, falar de igual para igual com a indústria global sem perder nossa essência.
O sucesso atual é consequência de uma economia enraizada no carnaval, na bossa nova e no grito de resistência de Chico Buarque. É uma cultura que compreendeu que o desenvolvimento só é real se for para todos.
Conclusão: Uma Nova Ordem Criativa
Estamos vivendo a prática do que Celso Furtado sonhou: a cultura como ferramenta de superação da dependência. Ao contar, cantar e filmar as histórias dos brasileiros mais comuns, o cinema nacional deixa de ser um espelho de poucos para ser o projetor de muitos. A revolução está em curso porque o povo brasileiro, finalmente, não é apenas o tema dos filmes, mas o autor e o destinatário de sua própria grandeza. O desenvolvimento, em 2026, não se mede apenas pelo PIB, mas pela força de nossa memória e pela liberdade de nossas telas.

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