Baseando-me nos dados apresentados (custo anual de encarceramento: US$ 88.000 vs. formação universitária: US$ 10.000), proponho um modelo radical de transformação do sistema prisional, com foco especial na realidade brasileira.
Estrutura do Programa "Universidade da Reintegração"
Fase 1: Educação Intrapresídio
Parcerias com Universidades Públicas e Institutos Federais: Criação de polos educacionais dentro dos presídios
Cursos Técnicos e Profissionalizantes: Priorizando áreas com alta empregabilidade (TI, construção civil, agroindústria, serviços)
Programas de Graduação Remota: Com tutores presenciais e acesso controlado à internet para pesquisas
Bibliotecas Digitais e Laboratórios Móveis: Equipamentos para ensino prático
Redução de Pena por Conclusão de Cursos: Incentivo educacional já previsto na LEP, mas ampliado
Fase 2: Transição para Campus Universitário
Campus de Transição: Unidades semiabertas dentro ou adjacentes a universidades
Mentoramento por Professores e Alunos: Programa de acompanhamento individual
Cursos em Regime de Semi-Liberdade: Progressão para atividades educacionais externas
Moradia Assistida: Alojamentos universitários para egressos
Fase 3: Integração Completa
Inserção Acadêmica Plena: Como estudantes regulares após cumprimento de pena
Programas de Estágio Garantido: Parcerias com empresas comprometidas com reinserção
Acompanhamento Psicossocial Contínuo: Suporte por 3 anos após liberdade
Bolsa-Reintegração: Auxílio financeiro durante formação
Adaptação para a Realidade Brasileira
Estratégias Específicas
Financiamento Tripartite:
Redirecionamento de recursos do sistema prisional (custo atual por preso: R$ 2.500/mês)
Parceria com MEC/MJ através do Fundo Penitenciário Nacional
Incentivos fiscais para empresas patrocinadoras
Modelo Gradual de Implementação:
Começar por presídios de regime semiaberto e apenados do último ano de pena
Foco inicial em jovens de 18-29 anos (56% do sistema prisional brasileiro)
Expansão progressiva a partir de resultados piloto
Arranjos Institucionais:
Cooperação entre DEPEN, universidades federais e sistema S (SENAI, SENAC)
Participação das Defensorias Públicas na seleção e acompanhamento
Envolvimento das famílias através de programas paralelos
Mecanismos de Controle e Avaliação:
Monitoramento por tecnologia vestível (tornozeleiras eletrônicas)
Avaliação contínua de desempenho acadêmico e comportamental
Comitês multidisciplinares de acompanhamento
Aspectos Culturais e Sociais:
Programa de sensibilização nas universidades receptoras
Preparação das instituições de ensino para diversidade de trajetórias
Enfrentamento do estigma através de campanhas midiáticas
Impacto Esperado
Econômico: Redução de 40-50% nos custos com encarceramento
Social: Diminuição da reincidência (atualmente em 70% no Brasil)
Humano: Geração de capital humano e rompimento de ciclos intergeracionais de violência
Sistêmico: Alívio da superlotação carcerária (413% da capacidade no Brasil)
Desafios e Mitigação
Resistência Institucional: Campanhas de sensibilização com dados de experiências internacionais
Segurança: Modelos progressivos com critérios rigorosos de elegibilidade
Recursos: Parcerias público-privadas e fundos internacionais (BID, ONU)
Estigma: Programas de "empregabilidade garantida" com incentivos fiscais
Esta proposta transforma o sistema prisional de depósito humano em centro de desenvolvimento humano, alinhando eficiência econômica com justiça social e direitos humanos. O Brasil, com seu sistema universitário público robusto e urgência de soluções penitenciárias, pode liderar uma revolução nesta área na América Latina.
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