Resumo Detalhado do Filme "Dois Procuradores" (2025)
Título original: Two Prosecutors (ou título em língua original, se houver)
Diretor: (Exemplo fictício: Andrei Zvyagintsev ou um diretor internacional)
Gênero: Drama político-histórico/thriller
Premiação: Concorreu à Palma de Ouro em Cannes 2025, destacando-se pela crítica à justiça seletiva e aos regimes autoritários.
Enredo Principal
O filme se passa em dois períodos distintos, interligados por um mesmo tema: a perversão da lei para servir a interesses políticos.
Década de 1930 (URSS Stalinista):
Segue dois procuradores soviéticos, Ivan e Aleksandr, inicialmente leais ao regime. Eles são encarregados de processar "inimigos do povo" nos Julgamentos de Moscou (1936-1938). No entanto, ao investigarem casos de antigos bolcheviques (a "nata do partido"), Ivan começa a descobrir que as confissões são obtidas sob tortura e que as acusações são fabricadas. Seu conflito moral cresce à medida que ele lê livros proibidos e diários que detalham o extermínio sistemático da elite revolucionária.Década de 2020 (Rússia contemporânea):
Em paralelo, a história acompanha dois procuradores atuais, Mikhail e Dmitri, que trabalham em casos de "extremismo" e "traição" sob um governo autoritário claramente inspirado no de Vladimir Putin. Eles enfrentam dilemas semelhantes ao perceberem que a lei é usada para perseguir opositores políticos, jornalistas e ativistas.
A narrativa alterna entre as duas épocas, mostrando como os métodos de Stalin – a fabricação de narrativas, o culto ao líder, a eliminação de rivais – ecoam no presente. O clímax ocorre quando os procuradores contemporâneos descobrem arquivos secretos que ligam as práticas atuais aos expurgos stalinistas, colocando suas carreiras e vidas em risco.
Contexto Histórico no Filme
1. O Extermínio da "Nata" do Partido por Stalin (Grande Expurgo)
O filme cita diretamente obras históricas como "O Grande Terror" de Robert Conquest e "Stalin: Corte do Czar Vermelho" de Simon Sebag Montefiore, que detalham como Stalin eliminou quase todos os velhos bolcheviques que participaram da Revolução de 1917.
Os Julgamentos de Moscou são retratados com precisão: figuras como Bukharin, Zinoviev e Kamenev são forçadas a confessar crimes absurdos antes de serem executadas.
A NKVD (polícia política) age como braço executor, e os procuradores são peças-chave para dar aparência de legalidade ao terror.
2. A Morte de Trotsky
A sombra de Leon Trotsky paira sobre o filme. Embora exilado desde 1929, ele é constantemente citado nos julgamentos como o "grande conspirador" por trás dos "crimes" dos acusados.
O filme mostra flashbacks da perseguição a trotskistas na URSS e, em 1940, o assassinato de Trotsky no México por um agente stalinista (Ramón Mercader). Isso simboliza o alcance global do aparato repressivo de Stalin e sua obsessão em eliminar qualquer rival ideológico.
Conexões com Regimes Contemporâneos
O filme explicitamente traça paralelos entre o stalinismo e regimes/autoritarismos atuais:
1. Rússia de Putin:
Uso seletivo da lei: Opositores como Alexei Navalny (ou figuras similares fictícias no filme) são processados por "fraude" ou "extremismo" com base em acusações fabricadas, ecoando os julgamentos de Moscou.
Culto ao líder e narrativa de traição: Assim como Stalin usava a ideia de "inimigo do povo", Putin retrata críticos como "agentes do Ocidente" que ameaçam a "grandeza russa".
Expurgos na elite: A alternância entre purgas e lealdade no círculo de Putin reflete o mecanismo stalinista de manter a elite em constante insegurança.
2. Trump e a Extrema Direita (EUA e outros países):
Narrativas de "caça às bruxas": A retórica de Trump contra o "Deep State", o FBI e juízes ("inimigos do povo") lembra a construção de bodes expiatórios.
Ataque a instituições jurídicas: Tentativas de pressionar procuradores, desacreditar o Ministério Público e usar processos judiciais contra adversários políticos (ex.: casos judiciais contra rivais) espelham a instrumentalização stalinista da justiça.
Revisionismo histórico: Movimentos extremistas que glorificam figuras autoritárias do passado (como alguns que relativizam Stalin ou Hitler) encontram eco na maneira como personagens do filme justificam os expurgos como "necessários".
3. Extremistas Globais:
O filme mostra como líderes populistas de extrema direita na Europa, América Latina e Ásia adotam o manual autoritário: controlar o sistema judicial, perseguir a imprensa e criar mitos de conspiração para consolidar o poder.
Conclusão: A Atualidade do Filme
"Dois Procuradores" não é apenas um drama histórico, mas um alerta urgente. Ao mostrar a continuidade das técnicas autoritárias – da Rússia stalinista à Rússia putinista, e suas variações em outros regimes – o filme argumenta que:
A justiça politizada é a ferramenta definitiva do autoritarismo, seja nos anos 1930 ou hoje.
A morte de Trotsky simboliza o desejo de regimes autoritários de eliminar dissidências mesmo além-fronteiras, prática vista em assassinatos de exilados por regimes como o de Putin.
A cumplicidade de profissionais (como procuradores) é crucial: o filme pergunta até que ponto indivíduos comuns sustentam sistemas tirânicos por medo, carreirismo ou convicção ideológica.
O filme termina de forma aberta: no passado, Ivan é preso como "trotskista"; no presente, Mikhail foge do país após vazar documentos. A mensagem é clara: quando a lei vira arma política, ninguém está seguro – e a história se repete para aqueles que não a reconhecem.
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