SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Luizianne Lins Governadora e Elmano Senador! Lutando contra a Oligarquia no Ceara, Brasil e nos EUA com Lula e Bernie.



"Fight Oligarchy": A Luta de Bernie Sanders pela Democracia Americana

No livro "Fight Oligarchy", o senador Bernie Sanders apresenta uma análise contundente e detalhada sobre a transformação dos Estados Unidos em uma oligarquia — um sistema onde o poder político, econômico e midiático está concentrado nas mãos de uma minúscula elite de indivíduos extremamente ricos. Sanders argumenta que esta não é uma mera metáfora política, mas a realidade estrutural que define a vida americana contemporânea, corroendo os fundamentos democráticos da nação.

A Diagnóstico da Oligarquia Americana

Sanders estrutura sua análise em capítulos curtos e incisivos que detalham os mecanismos dessa oligarquia. Ele demonstra como, nas últimas décadas, a concentração de riqueza atingiu níveis históricos: o 1% mais rico dos americanos detém mais riqueza do que os 90% inferiores da população. Essa disparidade não é apenas econômica, mas traduz-se diretamente em poder político desproporcional.

O livro explora como esse pequeno grupo de multi-bilionários exerce controle através de:

  • Financiamento de campanhas eleitorais: Um sistema que permite que bilionários de ambos os partidos (Democrata e Republicano) ditem a agenda política, favorecendo políticas que beneficiam os ultra-ricos em detrimento da maioria.

  • Captura regulatória: A influência desmedida sobre agências governamentais que deveriam regular setores como o financeiro, farmacêutico e de combustíveis fósseis.

  • Controle midiático: A concentração da propriedade de veículos de comunicação nas mãos de conglomerados corporativos que priorizam interesses comerciais sobre o jornalismo de interesse público.

As Consequências para os Americanos Comuns

Sanders não se limita a descrever estruturas de poder abstratas. Ele conecta diretamente a oligarquia com o sofrimento cotidiano dos cidadãos comuns. Em um dos pontos mais fortes do livro, ele contrasta o enriquecimento obsceno do topo da pirâmide com as lutas da maioria dos americanos para:

  • Pagar aluguéis crescentes em um mercado imobiliário especulativo

  • Enfrentar dívidas estudantis paralisantes

  • Lidar com a precarização do trabalho e estagnação salarial

  • Acessar um sistema de saúde notoriamente caro e excludente

Essa economia, argumenta Sanders, não é um acidente, mas o resultado direto de decisões políticas tomadas para beneficiar os oligarcas — como cortes de impostos para os ricos, desregulamentação financeira e políticas comerciais que favorecem corporações multinacionais.

A Ameaça Autoritária sob Trump

Um aspecto crucial do livro é a análise de como a oligarquia se combina com tendências autoritárias durante a presidência de Donald Trump. Sanders argumenta que Trump representa uma fusão perigosa entre oligarquia econômica e autoritarismo político, onde:

  • A democracia é minada através de ataques sistemáticos a instituições independentes (Congresso, Judiciário, imprensa)

  • O populismo de fachada esconde políticas que beneficiam exclusivamente os mais ricos

  • A corrupção é institucionalizada através de conflitos de interesse flagrantes e troca de favores

Sanders alerta que este não é um fenômeno exclusivamente americano, mas parte de uma tendência global onde oligarcas frequentemente apoiam líderes autoritários que protegem seus interesses em troca de poder político.

O Caminho da Resistência e da Reconstrução

Apesar do diagnóstico sombrio, "Fight Oligarchy" é fundamentalmente um livro de esperança e ação. Sanders documenta como sua turnê de palestras "Combatendo a Oligarquia", iniciada nos primeiros dias do governo Trump, atraiu multidões recordes em todo o país — demonstrando que um número significativo de americanos, atravessando divisões partidárias, está pronto para contestar este sistema.

O senador apresenta um plano concreto para revitalizar a democracia americana, incluindo:

  1. Reforma radical do financiamento de campanhas: Movimento em direção ao financiamento público de eleições

  2. Expansão dos direitos de voto: Tornar o registro e a votação mais acessíveis, combater a supressão eleitoral

  3. Reforma econômica progressista: Salário mínimo digno, sistema de saúde universal, ensino superior público gratuito

  4. Fortalecimento do poder de negociação coletiva: Revitalização do movimento sindical

  5. Transparência e ética governamental: Medias rigorosas contra conflitos de interesse e "portas giratórias" entre governo e setor privado

O Poder do Movimento Popular

O cerne da mensagem de Sanders é que o verdadeiro poder reside no povo organizado. Ele cita exemplos históricos — desde o movimento pelos direitos civis até a luta pelos direitos dos trabalhadores — onde mudanças profundas foram conquistadas através de mobilização popular sustentada, não de benevolência das elites.

"Fight Oligarchy" serve tanto como manual de resistência quanto como manifesto para uma sociedade mais igualitária. Sanders insiste que, apesar da concentração atual de poder, a história mostra que sistemas oligárquicos são vulneráveis quando confrontados com movimentos populares determinados, multigeracionais e multiétnicos.

Um Chamado à Ação

Mais do que uma simples crítica, "Fight Oligarchy" é um apelo urgente à conscientização e à ação. Sanders conclui com um argumento otimista: a América já enfrentou oligarquias no passado (como durante a Era Dourada do final do século XIX) e as superou através de movimentos progressistas. A atual crise, por mais grave que seja, contém em si as sementes de sua própria superação — desde que os americanos comuns recuperem a fé em seu próprio poder coletivo e se organizem para reivindicar uma democracia que funcione para todos, não apenas para os bilionários.

O livro permanece relevante não apenas como análise do momento Trump, mas como guia para compreender e combater as forças oligárquicas que continuam a moldar a política americana, independentemente de qual partido ocupa formalmente o poder. É um testemunho da resistência democrática e um roteiro para sua renovação.


Oligarquia no Ceará: O Paradoxo da Concentração em Terra de Contrastes

A análise de Bernie Sanders sobre a oligarquia norte-americana encontra um espelho perturbador na realidade cearense. O Ceará, estado que paradoxalmente ostenta o maior número de bilionários per capita do Brasil, exemplifica com trágica clareza como sistemas oligárquicos se reproduzem e perpetuam desigualdades históricas, mesmo dentro de estruturas democráticas formais.

A Engrenagem da Oligarquia Cearense

Há quatro décadas, o poder político e econômico no Ceará concentra-se em torno de um grupo restrito de famílias — Ferreira Gomes, Camilo Santana, Mauro Benevides, Domingos, Zezinho Albuquerque e outras — que transitam entre cargos públicos, negócios privados e influência midiática, criando um ecossistema de privilégios autoperpetuante. Esta estrutura opera através de:

  1. Incentivos fiscais generosos que beneficiam grandes conglomerados enquanto a carga tributária recai sobre pequenos negócios e trabalhadores

  2. Acesso privilegiado a bancos públicos que financiam empreendimentos das elites enquanto microempreendedores enfrentam burocracia e juros proibitivos

  3. Controle da máquina estatal que direciona recursos públicos para territórios e setores aliados

  4. Monopólio sobre grandes projetos de infraestrutura, imobiliários e turísticos

As Consequências da Concentração Cearense

Enquanto o Ceará se promove internacionalmente como destino turístico de excelência e atrai megaprojetos imobiliários voltados para estrangeiros, a realidade para a maioria da população é marcada por:

  • Pobreza estrutural que persiste há gerações

  • Criminalidade explosiva alimentada pela exclusão social

  • Genocídio da juventude pobre, majoritariamente negra e periférica

  • Concentração de renda extrema (o 1% mais rico detém parcela desproporcional da riqueza estadual)

  • Precarização do trabalho e desmonte de serviços públicos essenciais

O modelo de desenvolvimento adotado privilegia setores que pouco geram empregos de qualidade para a população local, aprofundando a distância entre os enclaves de luxo e as periferias abandonadas.

O Brasil no Contexto Oligárquico Global

Assim como Sanders identifica nos EUA, e como vemos na Colômbia e outras nações, o Brasil e particularmente o Ceará demonstram que a oligarquia não é um resquício do passado, mas um sistema moderno e adaptável que:

  • Coopta linguagem progressista para manter privilégios

  • Utiliza instituições democráticas para fins antidemocráticos

  • Transforma o Estado em instrumento de acumulação privada

  • Fragmenta movimentos populares através de clientelismo e cooptação

O Caminho da Transformação: Com o Povo nas Ruas

A resposta a este sistema não pode vir dos mesmos métodos da direita oligárquica — que joga dentro das regras por ela mesma criadas. Como Sanders argumenta, a transformação real exige:

  1. Organização popular autônoma que independa das estruturas oligárquicas

  2. Verdade nos discursos que nomeiem os mecanismos de dominação sem eufemismos

  3. Ações diretas não-violentas que despertem a consciência coletiva

  4. Articulação de amplas frentes que unam movimentos sociais, trabalhadores formais e informais, juventude, comunidades tradicionais e intelectuais comprometidos

  5. Projetos de poder alternativos que construam desde já formas de organização econômica e política democráticas

Conclusão: A História Não Acabou

A experiência cearense confirma o que Sanders afirma: oligarquias podem parecer onipotentes, mas carregam em si as sementes de sua própria contestação. A pobreza que geram, a violência que cultivam, a exclusão que perpetuam — tudo isso alimenta a resistência.

Fazer história no Ceará, no Brasil e nas Américas significa reconhecer que a verdadeira política não se faz nos palácios, mas nas ruas; não com os meios da direita, mas com a criatividade dos oprimidos; não com mentiras convenientes, mas com verdades inconvenientes.

Contra a mentira institucionalizada, precisamos de discursos que nomeiem as coisas pelo que são: não "incentivos fiscais", mas subsídios aos ricos; não "segurança pública", mas criminalização da pobreza; não "desenvolvimento", mas acumulação por despossessão.

A luta contra a oligarquia cearense é parte da mesma batalha que Sanders descreve: pela ideia radical e transformadora de que uma sociedade não existe para beneficiar alguns poucos, mas para garantir vida digna para todos. Como ele demonstra, quando o povo se organiza, compreende seu poder e age com determinação, até as oligarquias mais arraigadas podem ser desafiadas — e transformadas.

O Ceará, com sua riqueza concentrada e pobreza disseminada, não é uma anomalia, mas um microcosmo do Brasil e das Américas. Sua libertação será parte da libertação de todos nós.



LULA E BERNIE SANDERS PRESIDENTES!



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