Li, na última sexta-feira, o artigo de Luiz Cláudio Costa publicado na Folha de S.Paulo, com um título que, à primeira vista, pode soar contraintuitivo. A universidade do futuro exige mais teoria, não menos.
A provocação é relevante, sobretudo em um momento em que há uma pressão crescente por formações mais aplicadas, mais rápidas e, muitas vezes, menos densas do ponto de vista conceitual.
O argumento do texto não é a defesa de um retorno ao modelo tradicional de ensino. Pelo contrário. Ele reconhece que a forma como ensinamos precisa mudar, especialmente diante das transformações trazidas pela inteligência artificial. O ponto central está em outro lugar.
A teoria não perde relevância. Ela muda de posição.
Tenho visto algo semelhante nas discussões acadêmicas e na prática em sala de aula. O problema nunca foi a teoria em si, mas a forma como ela foi, durante muito tempo, apresentada como fim do processo. A aula expositiva como eixo central, a transmissão como método predominante.
O que começa a se reorganizar agora é essa lógica. A experiência, o problema, o contexto passam a ocupar um papel inicial. A teoria entra depois, não como substituta da prática, mas como instrumento para interpretá-la com mais rigor. Isso desloca o papel do professor e exige outro tipo de formação do aluno.
Nesse cenário, a inteligência artificial não elimina a necessidade de teoria. Se algo, ela reforça. O acesso à informação se torna mais fácil, mas a capacidade de interpretar, julgar e conectar ideias passa a ser ainda mais relevante.
Tenho observado que esse é um ponto sensível na formação atual. Muitos alunos chegam com acesso amplo a conteúdos, mas com dificuldade em sustentar análises mais estruturadas. Sem um repertório teórico consistente, a interpretação tende a ficar superficial.
Talvez por isso a provocação do artigo seja tão pertinente. Não se trata de escolher entre teoria e prática, mas de reorganizar a relação entre elas.
A universidade continua tendo um papel central, mas não mais como espaço de transmissão, e sim como espaço de formação intelectual mais profunda.
A teoria não desaparece. Ela deixa de ser ponto de partida e passa a ser aquilo que dá sentido ao que foi vivido.
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