Caríssimo eleitor, companheiro de trincheira,
Há um fantasma que dança sobre os escombros da Espanha. Ele sussurra, na voz tardia do Presidente Franklin Roosevelt, a confissão fria de um erro histórico: o abandono. Em 1939, o mundo virou o rosto e deixou morrer uma centelha. A luta pela República na Guerra Espanhola. E esse fantasma agora sopra a poeira de Mariupol, varre os escombros de Gaza, envenena os ares em tantas fronteiras silenciadas. A pergunta não é mais se haverá um próximo, mas quem nós deixaremos ser o próximo?
Pensar, nesta hora, não é refúgio. É trincheira. É a revolta primeira e última.
Sou candidato a Deputado Federal. Meu time é o 40 — quatro décadas de luta, de rua, de comunidade, de sala de aula. Meu atacante é o 19 — como Yamal, a juventude que entra em campo com a coragem de quem ainda não aprendeu a ter medo. E juntos, time e atacante, vamos vencer a maior de todas as Copas: a Copa do Brasil com Cidadania, Justiça e Democracia para todos.
Mas esta partida não se joga nos gabinetes. Ela se joga nas ruas, nas periferias, nas comunidades rurais, nas escolas, nos centros acadêmicos, nas assembleias da UNE. Ela se joga com suor, com olho no olho, com corpo presente. Porque ativismo com like anônimo não move montanhas. Ativismo com rosto descoberto, sim.
A jornada que me trouxe até aqui: do Grêmio Marista à UNE dos Cara Pintadas.
Minha história de luta começou cedo. No Grêmio Marista, aprendi com o legado de Champagnat que educar é amar — e que amar é lutar por cada jovem como se fosse o único. Dali, fui para o Centro Acadêmico da Administração na UECE, onde entendi que gestão sem alma é apenas burocracia. Na Economia da UFC, descobri com Celso Furtado que o subdesenvolvimento não é destino, mas estrutura a ser rompida. No Cinema da UFC, aprendi que a arte da memória a arma mais poderosa contra o apagamento — que enquadrar a verdade é um ato político. No CA Paulo Freire na Pedagogia, mergulhei no mestre que nos ensinou que a educação não é transferência de conhecimento, mas ato de libertação. E, finalmente, na UNE, nos Cara Pintadas, vivi o grito de uma geração que exigiu o fim da ditadura e o começo da democracia.
Essa trajetória não foi acadêmica. Foi de corpo inteiro. E ela me ensinou que a luta não se faz sozinho. Ela se faz com os movimentos sociais que pulsam nas periferias urbanas, nas comunidades rurais, nos territórios indígenas e quilombolas, nas escolas públicas, nos sindicatos, nas associações de bairro.
Apoiei e construí, durante toda a vida, projetos que transformam de baixo para cima. Projetos de educação — ao lado de Senador Cristovam Buarque, no movimento Educacionismo, que defende que a prioridade nacional é a escola pública de qualidade para todos. Projetos ecológicos — porque a terra que nos sustenta também precisa ser defendida. Projetos da sociedade civil — como Livres, Renova e Agora — que acreditam que a política pode ser feita com transparência, participação e amor.
O fantasma da Espanha e a responsabilidade do Brasil
Entre o ativismo que arde e o distanciamento que paralisa, se ergue um abismo de responsabilidade. Não podemos cometer, outra vez, o pecado de Espanha. E vejo, com clareza que corta a alma, que há um país cujo destino é ser anteparo. Um país-continente, de pulsação tropical e memória ferida pela própria ditadura: o Brasil. Não por uma missão divina, mas por uma geografia histórica implacável. Ele pode, deve, ser o eixo de um contra-movimento planetário. Unir o Sul Global ferido ao Norte em crise; entrelaçar a resistência latino-americana aos democratas estadunidenses; ser ponte com uma Europa titubeante e com a África e a Ásia que já sangram.
Porque a democracia que herdamos é um edifício que oscila perigosamente, um sistema que sobrevive aquém de seu próprio sonho. Fracassou em sua promessa. E vemos, horrorizados, como processos democráticos, à esquerda e à direita, se transformam em mecanismos autoritários, em máquinas de moer verdades. Tudo está sob cerco: a justiça, a palavra, o futuro. Os novos capitães do mato não usam chicote de couro, mas algoritmos e portfólios de bilhões. São tecnocratas a serviço de oligarquias, ditadores de poltrona estofada, fascistas de terno fino que compram nações como ações.
A desigualdade é um tumor do câncer fascista. A violência, o idioma comum. A crise climática bate à porta com fúria de séculos de negligência. É fácil, tão fácil, se afogar num desespero indignado e imóvel. E nesse pântano, os extremos crescem – são eles que lucram com nossa paralisia, com a polarização que nos cega.
Por isso, prevemos: a Terceira Guerra já começou. Não é uma guerra apenas de tanques, mas de narrativas. Uma guerra pelo direito de existir, de sentir, de significar. E nesta guerra, meu primeiro disparo foi uma palavra, escrita no dia em que Trump se ergueu como um arremedo de poder. Escrever, hoje, é um ato de sabotagem. Deixar um registro é um impulso vital, um grito contra o apagamento.
Vida longa aos rebeldes, aos escritores, aos poetas! Que a arte colida com a política até virar movimento como 68! É hora de interrogar a vida intelectual até expor suas covardias e sua força. É hora de viver os ideais com o rosto descoberto, não apenas com o like anônimo. Ativismo com suor, com olho no olho, com corpo presente.
A missão no Congresso: transformar a luta das ruas em lei
Minha quarta missão, ao entrar no Congresso Nacional, será dar voz e força legal aos movimentos sociais, às comunidades e à juventude que constroem o Brasil de baixo para cima. Não para domesticar a luta, mas para amplificar sua potência.
Apresentarei projetos que:
1. Instituam o Programa Nacional de Participação Social e Controle Cidadão
Criando mecanismos permanentes de orçamento participativo, conselhos populares e audiências públicas vinculantes, garantindo que as decisões do Estado reflitam a vontade das comunidades, não apenas dos gabinetes.
2. Criem o Fundo Nacional de Apoio aos Movimentos Sociais e Organizações Comunitárias
Com recursos públicos para financiar projetos de base nas periferias urbanas, comunidades rurais, territórios indígenas e quilombolas — com transparência total e controle social, fortalecendo as organizações que verdadeiramente transformam vidas.
3. Estabeleçam a Lei de Educação Crítica e Cidadã
Inspirada em Paulo Freire e Cristovam Buarque, garantindo que as escolas públicas ensinem pensamento crítico, história dos movimentos sociais, educação ambiental, direitos humanos e participação política — formando cidadãos conscientes, não apenas mão de obra.
4. Instituam o Estatuto da Juventude Participativa
Criando conselhos de juventude em todos os níveis da federação, com representação paritária de estudantes, jovens trabalhadores, periferias e comunidades tradicionais, garantindo que as políticas de juventude sejam construídas com e para os jovens.
5. Aprovem a Lei de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos
Com mecanismos efetivos de proteção a lideranças comunitárias, indígenas, quilombolas, ambientalistas e ativistas sociais — que são assassinados no Brasil como em nenhum outro país do mundo.
6. Criem o Programa Nacional de Arte e Cultura nas Comunidades
Financiando cineclubes, teatros comunitários, bibliotecas populares, rodas de cultura e produção audiovisual periférica — porque a arte é a trincheira mais bonita e a memória é a primeira linha de defesa contra o fascismo.
7. Estabeleçam o Dia Nacional da Luta Social e da Memória — em homenagem a todos os que tombaram nas ruas, nos campos, nas universidades e nas comunidades, para que o sacrifício não seja esquecido e a luta não seja interrompida.
Por que me escolher como seu jogador na Seleção Brasileira do Congresso?
Porque não sou um político de carreira. Sou um movimento — um grêmio, um centro acadêmico, uma rua, uma assembleia, uma luta. Sou a voz de quem não tem voz, a memória de quem foi apagado, a coragem de quem não se rende.
Escolha o 40 — porque são 40 anos de estrada, de chão pisado, de resistência. Escolha o 19 — porque é a juventude que avança, a energia de Yamal que não espera, a esperança que faz gol quando o jogo parece perdido.
Escolha 4019 na urna. Não é um número. É um grito. É uma bandeira. É a convocação para a partida mais bonita e mais dura de todas: a construção de um Brasil onde a política seja feita com o povo, não contra ele.
O apito final
Esta campanha é arte. Este mandato será missão. E esta jornada — iniciada nos bancos do Grêmio Marista, atravessando salas de aula, ruas, assembleias, comunidades e países — agora se estende ao Congresso Nacional, para que a luta dos movimentos sociais ecoe nas leis e nas políticas públicas.
Os palcos onde a História agora marca encontro são nítidos: as eleições de 2026 no Brasil e o jogo final da democracia. São nossos campos de batalha iminentes. É hora do luto, sim, mas também do questionamento feroz e do protesto intransigente.
Temos o trabalho vital de moldar a História à medida que ela acontece. Oferecer ao mundo, não o que nos sobra, mas o que temos de mais precioso: beleza inquieta, amor combativo, uma política transformadora feita para o comum.
Não é fácil ouvir as perguntas que nosso tempo nos grita. É mais cômodo abafar o som com o ruído do cotidiano. Mas essas perguntas tornaram-se urgentes. Insistem. Sangram.
Pensar, diante disso, não é contemplação.
Pensar é minha luta.
E esta luta começa com um não. Um não esculpido em palavras, alimentado por memória e lançado como um desafio ao futuro.
Faça parte desse time. Vista a camisa. Entre em campo comigo.
Vamos vencer a Copa do Brasil com Cidadania, Justiça e Democracia para todos — com a força de quem aprendeu nas ruas que a vida só vale a pena quando é vivida em luta e em amor.
Com a memória de quem não esquece e a coragem de quem avança,
Seu candidato a Deputado Federal — Time 40, Atacante 19
"Pensar, nesta hora, não é refúgio. É trincheira. É a revolta primeira e última. E esta revolta começa com um não — um não esculpido em palavras, alimentado por memória e lançado como um desafio ao futuro."
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