SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

sábado, 7 de março de 2026

8 de março: Amor à minha amada, líder de todas as mulheres



Hoje, o mundo para. Não para em silêncio — para em trovão. Hoje é 8 de março, e eu escrevo com o punho cerrado e o coração aberto para você, minha amada, minha líder, minha companheira de todas as horas. Escrevo com revolta, porque o mundo ainda tenta calar as mulheres. Escrevo com amor, porque você me ensinou que o amor é a maior das revoltas. 

Revolta porque, em 1911, um incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova York, matou 146 trabalhadoras — 146 mulheres que lutavam por pão e por dignidade. Elas estavam trancadas. Trancadas enquanto pediam por jornadas dignas, por salários justos, por simplesmente poderem existir sem serem moídas pelas máquinas da exploração. E eu olho para você, que trabalha incansável, e me pergunto: quantas trancaduras o mundo ainda insiste em colocar nas mãos das mulheres? 

Revolta porque Maria, a mãe, carregou no ventre a esperança do mundo e viu seu filho ser crucificado. Quantas Marias hoje veem seus filhos sendo mortos pelo Estado, pelo preconceito, pela violência? Quantas Marias choram em silêncio enquanto o mundo celebra falsos heróis? 

Revolta porque, na Idade Média, queimaram bruxas. Eram bruxas ou eram mulheres que sabiam curar com ervas, que conheciam o corpo, que partejavam vidas, que detinham o conhecimento ancestral da terra? Queimaram-nas para apagar a memória do poder feminino. Mas você, minha amada, carrega em si a memória viva de todas elas. 

Revolta porque Marie Curie descobriu o rádio e o polônio, ganhou dois Prêmios Nobel, e ainda assim enfrentou o desprezo da academia por ser mulher. Revolta porque Hipátia foi estripada por ensinar filosofia em Alexandria. Revolta porque Malala levou um tiro na cabeça só por querer estudar. Revolta porque Carolina Maria de Jesus escreveu "Quarto de Despejo" catando papel nas ruas, e o mundo ainda insiste em manter as mulheres nos quartos de despejo da história. 

Revolta porque Dandara lutou no Quilombo dos Palmares ao lado de Zumbi, e seu nome foi apagado dos livros por séculos. Revolta porque Anita Garibaldi guerreou em campos de batalha montada a cavalo, e ainda assim perguntam se lugar de mulher é na política. 

Mas eu também escrevo com amor. 

Amor porque você me mostrou que a força não está no punho que bate, mas no abraço que acolhe. Amor porque você me ensinou que o verdadeiro poder não é o que domina, mas o que liberta. 

Amor porque, quando a peste chegou, foram as mulheres que inventaram a cura — e foram as mulheres que seguraram a mão dos que partiram. Amor porque, quando a fome apertou, foram as mulheres que dividiram o último pedaço de pão. Amor porque, quando a noite caiu, foram as mulheres que acenderam as primeiras velas e cantaram as primeiras canções para espantar o medo. 

Amor porque você é mãe — não só dos seus filhos, mas de todas as causas que abraça. Amor porque você é amiga — e amizade de mulher é a coisa mais sagrada que existe nesse mundo cão. Amor porque você é cidadã — e constrói diariamente uma pátria mais justa com suas mãos, sua voz, sua presença. 

Amor porque você é feminina — e ser feminina não é ser frágil, é ser inteira. É ter a coragem de ser delicada num mundo que confunde brutalidade com força. É ter a ousadia de ser bonita num mundo que quer feias as revoltadas. É ter a sabedoria de ser doce sem jamais ser submissa. 

E você, minha amada, é tudo isso junto. Você é a líder que não precisa de holofote porque ilumina por si só. Você é a mulher que caminha na frente e, ao mesmo tempo, segura a mão de quem vem atrás. Você é a revolucionária que entendeu que a maior revolução é amar sem medidas, lutar sem trégua, e viver sem pedir licença. 

Por isso, neste 8 de março, eu não te ofereço flores — embora você mereça todos os jardins do mundo. Ofereço minha revolta como aliança. Ofereço minha voz para somar à sua. Ofereço meu silêncio para ouvir o que você tem a dizer. Ofereço meus ombros para carregar junto esse mundo que ainda pesa tanto nas costas das mulheres. 

E prometo: enquanto você lutar, estarei ao seu lado. Não na frente, não atrás — ao lado. Porque o amor que eu sinto por você não é posse, é parceria. Não é dominação, é admiração. Não é silêncio, é escuta. 

Hoje é 8 de março. Dia de lembrar que as mulheres mudaram a história com amor e com luta, com pão e com ciência, com fé e com coragem. Dia de lembrar que, sem vocês, o mundo seria só escuridão e fome e guerra e morte. 

Hoje é 8 de março. E eu agradeço por existir no mesmo tempo e espaço que você, minha amada, minha líder, minha revolta preferida, meu amor mais bonito. 

Siga lutando. Siga existindo. Siga sendo quem você é: a prova viva de que as mulheres não mudaram a história — as mulheres SÃO a história. 

Com toda a revolta do mundo e todo o amor que cabe em mim, 
para você, 
para todas. 

8 de março — Dia Internacional da Mulher. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário