SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.
quinta-feira, 18 de junho de 2026
Desequilíbrios precisam ser corrigidos, e isso não é só responsabilidade do indivíduo.
Muitas empresas ainda estão lutando contra o esgotamento com as armas erradas.
Aplicativos de yoga. Dias de bem-estar. Aplicativos de saúde. Segundo pesquisas da McKinsey, cerca de 90% das organizações agora cumprem algum tipo de programa de bem-estar. No entanto, as taxas de burnout parecem continuar subindo — um quarto dos 15.000 trabalhadores entrevistados em 15 países relatou isso.
Então, por que essas iniciativas não estão funcionando?
Porque quase todos eles miram no indivíduo. Eles pedem que as pessoas respondam de forma melhor ao estresse, sem deixar as verdadeiras fontes desse estresse intactas.
As consequências podem ser sérias para indivíduos e suas equipes. O estresse crônico se manifesta de três formas: exaustão avassaladora, cinismo e distanciamento do trabalho, e uma sensação corrosiva de ineficácia. Isso é esgotamento.
É biológico. O funcionamento básico do sistema de estresse do corpo muda e o cortisol para de voltar ao normal. Isso prejudica a memória, a atenção e a regulação emocional. Isso até aumenta o risco de morrer.
Felizmente, grande parte disso parece reversível com recuperação sustentada.
Para evitar o esgotamento, a forma como pensamos sobre o estresse precisa ser atualizada.
A forma mais útil que encontrei é o modelo de Demandas de Trabalho e Recursos, que eu imagino como uma gangorra. Exigências aumentam o estresse; Recursos reduzem isso. O esgotamento ocorre quando a demanda supera recursos por muito tempo.
Demandas e recursos aparecem em quatro áreas:
Tarefa — carga de trabalho, pressão de tempo, ambiguidade de função
Relacional — comportamento tóxico e conflito versus apoio social
Preocupações psicológicas — perfeccionistas aumentam o estresse; Otimismo, esperança e autoeficácia a reduzem
Fisiológico — sono, exercícios e alimentação — todos moldam a resposta ao estresse
Nossa fisiologia não diferencia o trabalho de casa. Uma sequência de sono ruim, por exemplo, esgota os recursos que alguém traz para o escritório. Uma situação familiar mais estressante pode esgotar a energia.
Somos bons em perceber mudanças grandes e repentinas no equilíbrio entre demandas e recursos. Na minha experiência, porém, é fácil deixar passar mudanças graduais.
Mudanças lentas podem surgir às pessoas.
Mas só perceber não é suficiente.
Desequilíbrios precisam ser corrigidos, e isso não é só responsabilidade do indivíduo.
Os líderes também desempenham um papel fundamental. Ainda assim, muitas vezes ficam no escuro porque os membros da equipe não sinalizam desequilíbrios. Por quê?
Admitir que "estou muito estressado agora" pode trazer riscos sociais ou até financeiros, e precisa valer a pena os riscos.
Muitas vezes, não é, e os desequilíbrios só aparecem quando o esgotamento torna impossível escondê-los.
Precisamos fazer valer o risco de sinalizar e corrigir pequenos desequilíbrios iniciais.
Isso significa normalizar a comunicação sobre esse equilíbrio e agendar oportunidades para ele.
Significa criar formas de trabalhar que tornem as cargas de trabalho sustentáveis mais valiosas do que as insustentáveis.
E significa projetar a sustentabilidade humana em como atribuímos responsabilidades, reconhecemos, recompensamos e promovemos.
Na sua experiência, qual é um dos desafios para manter um equilíbrio saudável de estresse? O que tem ajudado?
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