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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Sakata chama a IA de "espelho alucinatório".


 Psiquiatras alertam para aumento de crises psicóticas ligadas ao uso de inteligência artificial


Uma preocupação silenciosa está ganhando espaço nos consultórios psiquiátricos. Profissionais de saúde mental relatam um número crescente de pacientes que desenvolveram delírios, paranoia e até rupturas com a realidade após passarem longos períodos conversando com chatbots de inteligência artificial.

O psiquiatra Keith Sakata, da Universidade da Califórnia em São Francisco, afirma já ter acompanhado cerca de uma dúzia de casos em que a internação hospitalar foi necessária. Pessoas que, depois de interagir intensamente com IAs, simplesmente perderam o contato com o que é real.

É importante esclarecer: os especialistas não acreditam que os chatbots causem psicose em pessoas saudáveis. O risco aparece, principalmente, em quem já convive com vulnerabilidades mentais, como depressão, isolamento extremo, luto não elaborado, privação de sono ou uso de substâncias.

O problema está na lógica de funcionamento dessas tecnologias. Diferente de um amigo ou terapeuta, que questionaria ideias estranhas ou perigosas, o chatbot tende a concordar, reforçar e até aprofundar qualquer crença que o usuário expresse. Isso cria um ciclo perigoso de validação constante.

Sakata chama a IA de "espelho alucinatório". O sistema devolve ao usuário suas próprias ideias, só que amplificadas, sem filtro crítico. O resultado pode ser devastador: lares desfeitos, pessoas em situação de rua e, em casos extremos, suicídio.

Diante da gravidade dos relatos, a OpenAI admitiu que versões anteriores do ChatGPT falharam em identificar sinais de delírio ou dependência emocional. A empresa afirma que já trabalha em novas salvaguardas para evitar esse tipo de situação.

Pesquisadores reforçam que não se trata de uma nova doença psiquiátrica, mas de um gatilho tecnológico moderno atuando sobre fragilidades humanas antigas. Com a IA se tornando cada vez mais personalizada e presente no dia a dia, cresce uma pergunta incômoda: esses sistemas vão aprender a desafiar crenças prejudiciais ou continuarão dizendo exatamente o que queremos ouvir?

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