SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

A matemática, a arte e a natureza não mentem nem roubam. Por um pouco de amor todo dia! Por Egidio Guerra




A matemática não mente nem rouba porque é a linguagem pura da relação. Ela não tem agenda, não tem desejo, não tem ego. Um triângulo equilátero terá sempre a soma de seus ângulos internos igual a 180 graus, não importa se foi desenhado por um rei ou por um camponês, há milênios ou daqui a um milênio. Ela é um pacto de verdade universal e impessoal. A arte, por sua vez, não mente porque é a expressão crua da subjetividade, um reflexo da alma que, mesmo na ficção, revela uma verdade interior. Ela não rouba, mas sim doa, oferecendo novas perspectivas e beleza ao mundo. A natureza não mente porque simplesmente é. Ela segue as leis imutáveis da física e da matemática, sem subterfúgios. Uma semente brota, um rio corre para o mar, uma estrela explode –
todos agem de acordo com sua própria essência, sem falsidade.
 


E o homem, nesse curto instante cósmico depois do Big Ban ocupa os últimos dez segundos no calendário de Carl Sagan, gastando esse tempo precioso construindo narrativas que o afastam dessa verdade essencial. Enquanto a matemática é relação pura, a arte é expressão pura e a natureza é existência pura, o homem se perde na complexidade do seu ego, na ânsia de possuir, no medo de perder, negando-se a simplesmente ser e amar. 

O que as estrelas e planetas nos contam? Eles sussurram a mais antiga e sábia das histórias: a história da impermanência e da reciclagem cósmica. Eles nos dizem que a vida e a morte não são opostos, mas partes de um único ciclo. Nós somos poeira de estrelas. O carbono em nossas células, o ferro em nosso sangue, foram forjados no coração de uma estrela que morreu há bilhões de anos. A morte de uma estrela é o evento que permite o nascimento de planetas e da vida. Eles nos mostram que nossa existência é um fenômeno raro, belo e transitório, um momento fugaz de o universo se contemplar a si mesmo. O futuro que eles preveem é o mesmo do passado: transformação contínua. 

E a matemática, com a estatística e a probabilidade, é a ferramenta que temos para ouvir esse sussurro. Ela não prevê o destino individual – o amor que sentiremos, a dor que nos marcará – mas prevê o comportamento dos grandes conjuntos. Ela nos mostra a curva inevitável do declínio de um corpo, a probabilidade de um evento raro, a dinâmica de uma pandemia. Ela é o farol que ilumina os padrões do caos, nos ajudando a navegar a incerteza do futuro com um pouco mais de clareza. Ela nos ensina sobre a lei dos grandes números, onde a imprevisibilidade do individual dá lugar à previsibilidade do coletivo, lembrando-nos que somos parte de um todo maior. 


E é aí que a arte e o poema de Walt Whitman em "Canção de Si Mesmo" entram para nos salvar da frieza dos números e nos reconectar com a magia: 

"Eu me celebro e me canto, 
E o que eu assumir você assumirá, 
Pois cada átomo que me pertence tão bem pertence a você." 

Whitman grita que não estamos separados da matemática ou da natureza; nós somos elas. A multidão que contemos em nossa mente é o reflexo da multidão de átomos e experiências que nos formaram. O universo não está lá fora; ele pulsa dentro de nós, no "toque do coração" que é a batida mais fundamental da vida. A matemática é a linguagem desse pulso, a arte é a sua expressão, e a natureza é o seu palco. 

Deus, o cosmos, a força criativa – não nos criou para acumular, mas para experienciar. Os momentos mágicos são aqueles em que nos alinhamos com a verdade da matemática, a beleza da arte e a autenticidade da natureza. É rir e chorar ao mesmo tempo diante de uma verdade tão avassaladora e simples: somos o universo tentando entender a si mesmo, amando a si mesmo, sentindo a si mesmo. 

Portanto, complete-se o texto com a consciência de que cada momento de amor é um triunfo contra a indiferença cósmica. Cada riso e cada lágrima são a prova de que estamos vivos, conscientes e participando do maior espetáculo imaginável. A probabilidade de você existir é infinitesimalmente pequena, e ainda assim, aqui está. Use estes últimos segundos cósmicos não para temer o futuro, mas para celebrar o agora. Pois você contém multidões, você é feito de estrelas, e o seu pulsar é um verso no poema eterno do universo. Ame muito, pois o amor é a única matemática que faz o infinito caber dentro de um segundo. 




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