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domingo, 18 de janeiro de 2026

Holocausto e Genocídio na Palestina: Memória, Resistência e Justiça

 


As Raízes Históricas da Perseguição

A história do povo judeu é marcada por séculos de perseguição, desde a diáspora forçada sob o Império Romano até os pogroms na Europa Oriental. A tragédia alcançou seu ápice no século XX com o Holocausto (Shoah), onde seis milhões de judeus foram sistematicamente assassinados pela máquina de morte nazista, fundamentada em uma ideologia de ódio racial.

Paralelamente, o povo palestino carrega sua própria história de deslocamento e opressão, iniciada com a Nakba (catástrofe) de 1948, quando centenas de milhares foram expulsos de suas terras durante a criação do Estado de Israel, dando início a um longo processo de ocupação e fragmentação territorial que perdura por gerações.



Guetos: Varsóvia e Gaza

O Gueto de Varsóvia tornou-se símbolo da resistência judaica durante a Segunda Guerra Mundial. Cercado por muros, com fome deliberada e condições desumanas, seus habitantes enfrentaram a deportação para campos de extermínio com uma revolta heróica em 1943, demonstrando que mesmo na iminência da morte, a dignidade humana podia florescer.

Hoje, a Faixa de Gaza representa um gueto moderno: um território cercado por muros e bloqueios, onde dois milhões de palestinos vivem sob ocupação militar, com mobilidade restrita, economia asfixiada e ataques periódicos que causam milhares de mortes civis. Ambos os guetos, separados por décadas, testemunham a capacidade humana de resistir à desumanização.

Consequências: Mortes e Destruição

O Holocausto deixou a Europa em ruínas, com cidades destruídas, sociedades traumatizadas e o reconhecimento tardio de que a civilização ocidental era capaz de barbárie industrializada. Daquela devastação surgiram as Convenções de Genebra e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Na Palestina, décadas de ocupação resultaram em milhares de mortes, desapropriações contínuas, assentamentos ilegais e a fragmentação do território palestino. A destruição não é apenas física, mas também do tecido social, cultural e da esperança de gerações.

Julgamento Histórico e Necessidade Presente

Os Julgamentos de Nuremberg estabeleceram princípios fundamentais: indivíduos podem ser responsabilizados por crimes contra a humanidade, e "apenas cumprir ordens" não constitui defesa válida. Este precedente histórico nos obriga a exigir accountability contemporâneo.

Assim como Nuremberg foi necessário, hoje exigimos que o Tribunal Internacional de Haia examine completamente os crimes de guerra na Palestina, assim como os cometidos na Ucrânia por forças russas sob Vladimir Putin. A justiça não pode ser seletiva; deve aplicar-se igualmente a todos os perpetradores de atrocidades, independentemente de poder ou alianças políticas.


Sabedoria Judaica e Esperança

A tradição judaica oferece profundos ensinamentos sobre justiça e humanidade. O Talmud nos ensina: "Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro" (Sanhedrin 4:5). A Cabala fala sobre Tikkun Olam - o reparo do mundo - um chamado à ação ética coletiva.

Os Salmos ecoam através do tempo: "Busquem a paz e empenhem-se por alcançá-la" (Salmos 34:14). As parábolas rabínicas frequentemente destacam que a verdadeira força reside na compaixão, não na dominação.

Conclusão: A Derrota Inevitável da Tirania

Assim como Hitler, Mussolini e outros ditadores foram finalmente derrotados pela coalizão da humanidade consciente, a história demonstra que regimes baseados em opressão, expansionismo e violência contêm as sementes de sua própria queda.




Putin, Netanyahu, Trump, Bolsonaro  e figuras similares que promovem nacionalismo extremo, violência e desrespeito ao direito internacional serão, como seus predecessores, derrotados. Não pelas armas apenas, mas pela perseverança da justiça, pela resiliência da democracia, pela solidariedade humana e pelo Deus de Israel que exige justiça acima de sacrifícios rituais.

Que possamos trabalhar por um mundo onde "nunca mais" signifique realmente nunca mais para todos os povos - judeus, palestinos, ucranianos e todas as vítimas de opressão. Que nossa memória histórica nos guie não para ciclos de vingança, mas para a construção de uma paz justa, onde a dignidade de cada ser humano seja reconhecida e protegida.

Como profetizado em Isaías: "Eles converterão suas espadas em arados, e suas lanças, em foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e nunca mais se prepararão para a guerra" (Isaías 2:4). Esta visão permanece nosso horizonte ético coletivo.




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