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sábado, 21 de março de 2026

Baixo desemprego parece uma boa notícia. E se não for?

 


O mapa abaixo mostra a taxa de desemprego de uma ampla variedade de países. A Ásia-Pacífico se destaca. A taxa média de desemprego é de 4%, comparada a quase 8% em outras regiões. A mediana também é de 4%, bem abaixo de 6% em outros lugares.

Mas por trás dessa superfície "positiva" que se pode associar a economias em expansão, escondem-se realidades mais duras.

♦️Muitos países não possuem mecanismos robustos de proteção social. As pessoas não podem se dar ao luxo de ficar desempregadas e recorrer ao trabalho no setor informal. Contamos 1,3 bilhão deles só nesta região.

♦️Os jovens da região têm de 3 a 5 vezes mais chances de estar desempregados do que os adultos. Com a IA, isso vai piorar também. Mais de 85% dos jovens trabalhadores trabalham no setor informal.

♦️As taxas de desemprego em geral também são baixas porque milhões – especialmente mulheres no Sul da Ásia – são excluídas do setor formal por conta das normas sociais de gênero restritivas. Eles não fazem parte da força de trabalho.

Isso me leva a uma das minhas citações favoritas, de Stephen Jay Gould:

"De certa forma, me interesso menos pelo peso e pelas convoluções do cérebro de Einstein do que pela quase certeza de que pessoas de talento igual viveram e morreram em campos de algodão e fábricas de exploração."

Pode-se acrescentar a isso: presos a fogões de cozinha, navegando por meio de congestionamentos em bicicletas de entrega, empurrando carrinhos de comida de rua, trabalhando em andaimes de construção sem arnês, ou quebrando as costas em fornos de tijolos sem regulamentação!

Os pobres estão invariavelmente trabalhadores e subempregados, não desempregados, enquanto estão presos em condições precárias e de baixa produtividade.

O desemprego é, em grande parte, um conceito inútil em economias em desenvolvimento.
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