No mundo de sentidos desvirtuados, onde se encontra sentido?
Em um mundo que luta contra os espetáculos vazios das redes sociais, como brotar uma semente de amor pela própria vida da criança e do jovem? A resposta ecoa nas palavras da poeta adélia prado: “Não quero faca nem queijo, quero a fome.” O verdadeiro educador não entrega respostas empacotadas, mas desperta a fome de existir com plenitude. Como o mestre Rubem Alves ensinava, a educação deve ser como o cuidado com um jardim: “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.” A missão é criar asas que permitam voar além dos feeds e das curtidas, rumo à descoberta do próprio valor intrínseco.
Em um mundo que mata, vende, descarta e usa pessoas, como educá-los a não ser mortos, vendidos, descartados ou usados por falsos professores ou pelo “canto das serpentes”? A pedagogia precisa ser um escudo de humanidade. Como afirmou Nelson Mandela, “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” Mas essa arma não é para a guerra; é para a libertação. É o antídoto que bell hooks descreve: “A educação como prática da liberdade.” Ensinar a reconhecer e rejeitar todas as formas de opressão, começando pela que habita dentro de si mesmo e da sala de aula.
Como despertar o sonho, um dom, uma capacidade que não seja apenas por dinheiro ou sucesso? Inspirados por Cora Coralina — “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” —, o educador mostra que o conhecimento é uma dádiva circular, não uma moeda de troca. Como o cientista Albert Einstein, educado em um sistema rígido, mas que valorizou acima de tudo a curiosidade: “A imaginação é mais importante que o conhecimento.” O verdadeiro dom é aquele que, cultivado, ilumina a vida própria e a dos outros, transcendendo a lógica mercantil.
No mundo conteudista que, por ser mais fácil, esquece o mais difícil — as verdadeiras histórias —, o educador é aquele que sabe o nome de seus alunos. Conhece suas histórias de vida, as desigualdades que suportam, seus pequenos gestos, palavras, atitudes e olhares que vão revelando seu ser. Aprendemos com o líder indígena Ailton Krenak que “a educação não é para encher um recipiente, mas para acender uma fogueira.” Esse educador acende fogueiras com a lenha da escuta atenta, como fez a professora brasileira Antonieta de Barros, que, em meio às adversidades do racismo e do sexismo, via na educação a ferramenta para “iluminar o caminho próprio e o da comunidade”.
Esse educador aprende e ensina conhecimentos para compreender o mundo em que vivemos, despertando singularidades, diferenças e sonhos — não apenas para passar numa prova. O objetivo é que os alunos usem sua aprendizagem para pensar de forma crítica e criativa sobre a vida e o mundo, utilizando o português, a matemática, a história, as ciências, a geografia e outros saberes para seu letramento integral. Como propunha o geógrafo Milton Santos, trata-se de formar cidadãos capazes de ler “o espaço como um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações”, buscando viver de forma digna e ética uma existência boa, bela, justa e economicamente sustentável.
A meta final, como cantou o compositor Gonzaguinha, é aprender “a ser feliz pelo princípio, a saber viver é saber sonhar”, amando a própria vida, a humanidade e a Terra. Essas são as histórias de um educador que encontra caminhos na sala de aula e no mundo para que o diálogo seja, de fato, verdadeiro com as dores do mundo que os alunos carregam. Dores que, no espaço acolhedor da escola, podem ser transformadas.
Essa jornada na escola é uma jornada de amor à educação e à sabedoria. Como disse o dramaturgo Bertolt Brecht, “O objetivo da ciência não é abrir a porta ao saber infinito, mas sim colocar um limite ao erro infinito.” O educador, aliando ciência, arte e compaixão, ajuda a delimitar os erros da desumanidade. E, nas palavras da ativista Malala Yousafzai, que arriscou a vida pelo direito de aprender: “Com livros e canetas, podemos mudar o mundo.” Cada educador, ao escrever sua história no caderno diário de cada aluno, participa dessa mudança — lenta, imperfeita, mas radical.
Que essas histórias nos lembrem: educar, no fim, é crer no futuro que se molda no presente, nas mãos que erguem o mundo. É fazer da sala de aula um território de esperança ativa, onde, como ensinou o mestre Paulo Freire, ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: “os homens se libertam em comunhão.”
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