SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

A ESTRADA DOS QUE LUTAM E AMAM: POR QUE CAMINHAMOS JUNTOS Por Egidio Guerra




Há estradas que se cruzam não pelo acaso, mas pela história. 

Há corações que batem na mesma frequência não por coincidência, mas porque reconhecem, na luta do outro, o eco da sua própria voz. 

Hoje, olho para Nova York e vejo Zohran Mamdani. Olho para Vermont e vejo Bernie Sanders. Olho para o Brasil e vejo Darcy Ribeiro, Jones Manuel e Renato Freitas. E vejo, em cada um deles, um pedaço do que somos — do que construímos juntos, nesta estrada das redes sociais e dos corações. 

ZOHRAN MAMDANI: O PROTESTO DAS ROSAS EM NOVA YORK 

Em novembro de 2025, Zohran Mamdani fez história. Aos 34 anos, filho de imigrantes ugandenses, muçulmano, socialista declarado, elegeu-se prefeito de Nova York — a cidade mais poderosa do mundo — derrotando o ex-governador Andrew Cuomo e toda a máquina do establishment . 

Sua campanha começou com 1% das intenções de voto. Terminou com mais de 2 milhões de votos — a maior participação popular em Nova York desde 1969 . Como ele conseguiu? 

Com ousadia, especificidade e amor ao povo. 

Mamdani não falou em platitudes. Falou em congelar aluguéis, tarifa zero nos ônibus, creches gratuitas, supermercados públicos, aumento do salário mínimo para US$ 30 por hora até 2030 . E disse: "Quem vai pagar são os ricos, com 2% de imposto sobre quem ganha mais de US$ 1 milhão por ano" . 

Enquanto isso, o establishment o atacava. Donald Trump o chamou de "Jew hater". A mídia conservadora publicou manchetes histéricas sobre a "xaria law" em Nova York . Os bilionários financiaram ataques sem precedentes. 

Mas Mamdani tinha algo que o dinheiro não compra: 87 mil voluntários nas ruas, batendo de porta em porta . A maior campanha de base da história de Nova York. Gente comum, acreditando em gente comum. 

E quando venceu, citou Eugene Debs — o grande socialista americano do início do século XX — e agradeceu em árabe aos donos do café iemenita que foi seu quartel-general . 

Zohran Mamdani nos ensina que o medo não vence quando o povo se organiza. Ensina que um imigrante, um jovem, um "radical" pode chegar ao poder quando fala a língua da vida real das pessoas. 

BERNIE SANDERS: 60 ANOS DE LUTA E UMA LIÇÃO DE PERSISTÊNCIA 

Mas antes de Mamdani houve Bernie. E antes de Bernie houve décadas de deserto. 

Bernie Sanders começou nos anos 1960, participando da marcha de Martin Luther King Jr. em Washington. Nos anos 1970, filiado ao Partido Socialista da América, candidatou-se quatro vezes a cargos públicos — e perdeu todas, com menos de 6% dos votos . 

Ele dizia ao seu colega de quarto, todas as manhãs: "Não somos loucos" . 

Em 1981, aos 39 anos, venceu a eleição para prefeito de Burlington, a maior cidade de Vermont, por apenas 10 votos. Derrotou um democrata que estava no poder há cinco mandatos. Como? Falando do lixo que não era coletado, das ciclovias que não existiam, dos salários que não chegavam ao fim do mês . 

E governou como socialista: condenou o apartheid na África do Sul, escreveu para a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher protestando contra a tortura de presos políticos na Irlanda do Norte, convidou Noam Chomsky para palestrar na prefeitura, gravou um disco de músicas de protesto . 

Em 1990, elegeu-se deputado. Em 2006, senador. Em 2016 e 2020, concorreu à presidência dos Estados Unidos — e quase venceu. 

Bernie Sanders nos ensina que a luta não se mede em ciclos eleitorais, mas em décadas. Ensina que "não somos loucos" é uma frase que precisa ser repetida todas as manhãs por quem ousa desafiar o poder. 

DARCY RIBEIRO: O BRASILEIRO QUE SONHOU UMA NAÇÃO EDUCADORA 

E no Brasil, quem plantou essas rosas antes de nós? 

Darcy Ribeiro. 

Antropólogo, educador, político. Nascido em Montes Claros, Minas Gerais, em 1922. Dedicou os primeiros anos de sua vida ao estudo dos povos indígenas — os verdadeiros donos desta terra . 

Em 1961, foi ministro da Educação do presidente João Goulart. Ali, começou a construir seu maior sonho: a Universidade de Brasília, da qual foi o primeiro reitor . Uma universidade pública, gratuita, de excelência, pensada para ser o coração intelectual do país. 

Mas veio 1964. Veio a ditadura. Veio o exílio. 

Darcy passou doze anos fora do Brasil. Viveu no Uruguai, no Chile, no Peru, na Venezuela. Ajudou a reformar universidades, aconselhou governos, escreveu livros fundamentais como O Processo CivilizatórioAs Américas e a CivilizaçãoA Universidade Necessária . 

Quando voltou, fundou o Partido Democrático Trabalhista (PDT) com Leonel Brizola. Foi vice-governador do Rio de Janeiro. Criou os CIEPs — Centros Integrados de Educação Pública —, escolas de tempo integral que combinavam educação formal com cultura, esporte e assistência social . Um modelo revolucionário para a época. 

Em 1995, publicou sua obra-prima: O Povo Brasileiro — uma tentativa de compreender quem somos, de onde viemos, para onde vamos . 

Morreu em 1997, mas deixou um recado: "Fiz tudo o que pude para que o Brasil desse certo. Não consegui. Mas quem sabe outros, com o mesmo sonho, um dia consigam." 

Darcy Ribeiro nos ensina que educação não é despesa, é investimento na alma humana. Ensina que universidade pública é sagrada. Ensina que um povo que não conhece sua própria história está condenado a repetir seus piores erros. 

JONES MANUEL E RENATO FREITAS: A LUTA CONTINUA NAS RUAS DO BRASIL 

E hoje, quem carrega essa tocha? 

Jones Manuel, liderança das periferias, que entende que política se faz com pé no chão e coração na comunidade. Que sabe que o povo preto, o povo pobre, o povo da favela precisa estar nos lugares de decisão — não como figurantes, mas como protagonistas. 

Renato Freitas, deputado estadual no Paraná, que enfrentou o conservadorismo com a coragem de quem não se curva. Que entende que a luta contra o racismo, contra a desigualdade, contra a exploração não pode esperar. Que sabe que a política institucional precisa ser ocupada por quem sempre esteve fora dela. 

Eles são a prova de que o Protesto das Rosas continua. De que a juventude, o saber, a atitude ainda florescem neste país. 

E NÓS? POR QUE CAMINHAMOS JUNTOS? 

Porque a minha estrada sempre foi essa. 

Há 35 anos, fundei o Movimento Empresas Juniores com Daniela Siaulys — acreditando que jovens podem transformar a economia antes mesmo de terem diploma. 

Há 35 anos, luto contra a corrupção de todos os partidos, contra as oligarquias dos 01, 02, 03, 04..., contra as gangues partidárias que vivem do Estado. 

Há 20 anos, escrevo diariamente no meu blog habitante terra da sabedoria — mais de 1.700 textos que contam minha vida, minhas causas, minhas ideias. Textos que provam que não mudo de opinião conforme a pesquisa eleitoral. 

Fui professor da escola pública. Fui fellow Ashoka. Fui consultor do Banco Mundial. Realizei a Primeira Feira de Conhecimento da ONU no Brasil. Orientei alunos de Harvard, Yale, Stanford, Columbia e MIT. Fiz campanha nas redes sociais para os filmes indicados ao Oscar (Ainda Estou AquiAgente Secreto). Criei o aplicativo-game Terra da Sabedoria para conectar jovens a oportunidades. 

Fui premiado na Espanha pelo ex-presidente da UNESCO. No Chile. Na ONU em Nova York. 

Mas o prêmio que realmente carrego é ter aprendido, com cada um desses lutadores, que a política se faz com alma, com paixão e com a coragem de ser inteiro. 

A ESTRADA É A MESMA 

A estrada de Zohran Mamdani é a mesma. A de Bernie Sanders é a mesma. A de Darcy Ribeiro, Jones Manuel e Renato Freitas é a mesma. 

É a estrada de quem acredita que o mundo pode ser diferente. De quem sabe que o poder não se conquista nos gabinetes, mas nas ruas. De quem entende que cada rosa entregue é um protesto contra a indiferença. 

Não estamos sozinhos. 

Estamos ligados pelas redes sociais — sim, essas mesmas que os poderosos tentam controlar. Mas, mais do que isso, estamos ligados pelos corações dos que lutam e amam. 

Gente que acorda todos os dias e repete: "Não somos loucos." 

Gente que sabe que, como ensinou Bernie, "o que é mais importante na política é decidir o que priorizar". E eu priorizo a vida. Priorizo a educação que liberta. Priorizo a juventude que sonha. Priorizo os mais velhos, que construíram o chão que pisamos. Priorizo os negros, os indígenas, os judeus — os povos mais perseguidos da história, que nos ensinam que nosso DNA é o mesmo e que quem considera sua raça superior é, no mínimo, burro. 

VEM COM A GENTE 

Não peço seu voto. Peço que caminhe conosco. 

Peço que acesse meu blog, que veja meu podcast Missão Educadora no YouTube, que leia meus livros, que conheça o game Terra da Sabedoria. Peço que investigue minha vida — porque ela é pública, está escrita, está filmada, está vivida. 

E se você, depois de me conhecer, acreditar que podemos construir uma São Paulo mais justa, mais criativa, mais livre... 

Então, vem. 

Vamos entregar rosas juntos. 

Vamos ocupar as redes sociais com amor. 

Vamos encher os corações com a certeza de que outro mundo é possível — e que ele começa agora, aqui, com cada um de nós. 

#40 #EgidioGuerraGovernador #AEstradaÉAMesma #OProtestoDasRosasContinua #TerraDaSabedoria 

 

"Só te lembres com saudades da glória, atitudes e do saber de grandes homens, que continuam vivos em nosso espírito, proporcionando a transformação de ideias em liberdade e energia. O resto está morto. Nós estamos vivos." 

 

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